Workshop discute combate às pragas da cana-de-açúcar

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou nesta quarta-feira (4), em Brasília, DF, um workshop para discutir a defesa agropecuária no contexto da produção de cana-de-açúcar. Um dos temas abordados foi a ferrugem alaranjada, que é uma das pragas que mais ameaçam a cultura da cana-de-açúcar, causando severos danos econômicos aos produtores.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, o Mapa já investiu aproximadamente R$ 1 milhão em projetos de controle de pragas na cana, inclusive a ferrugem alaranjada. No total, R$ 120 milhões estão sendo aplicados em estudos e trabalhos de defesa agropecuária, nas áreas animal e vegetal, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A ferrugem alaranjada ainda não foi detectada em canaviais brasileiros, mas já causou grandes danos às plantações na Nicarágua, Estados Unidos e Austrália. Nos anos 90, mais de 45% da produção australiana de cana era ocupada com uma variedade suscetível à praga, resultando em grandes prejuízos ao setor sucroenergético naquele país.

Apesar de ainda não estar no Brasil, a doença pode repetir a história da ferrugem marrom. O engenheiro agrônomo, Marcelo de Menezes Cruz, diz que o setor canavieiro brasileiro deve estar atento para evitar a introdução dela porque entre os materiais genéticos testados na Austrália, a RB 72454 foi considerada altamente suscetível. “É um fato preocupante devido sua elevada área de cultivo no Brasil, bem como seu parentesco com outras importantes variedades/clones”.

Segundo estudos técnicos, uma medida estratégica para conter a ferrugem é a diversificação do plantio, com limite máximo de 15% de área por variedade plantada nos canaviais. Assim, as perdas ficarão restritas às áreas das plantas que se mostrarem suscetíveis à ferrugem alaranjada, variável em função do grau de resistência.

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