Viva o gel

Foi uma boa providência a da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a venda do álcool 96 GL (de alto poder combustível) em versão líquida. Pela resolução nº 46 da Anvisa, esse tipo de álcool, desde agosto de 2002, só pode ser vendido sob a forma de gel. Os resultados da mudança já são perceptíveis. Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Queimadura (SBQ) feita em 56 centros de tratamento de queimados no Brasil, o número de acidentes por álcool teve redução entre 60% e 65% desde que a resolução entrou em vigor.

Antes do gel, aproximadamente 45 mil crianças sofriam queimaduras por álcool todos os anos no Brasil. E o custo diário do tratamento de uma pessoa que tenha sofrido grandes queimaduras fica entre R$ 1.200 e R$ 1.500. É evidente que essas mudanças não se deram sem custos. Elas encareceram o produto. O suficiente para que produtores contestassem judicialmente a resolução e obtivessem decisões provisórias que lhes permitem vender o produto na forma líquida. Será lamentável se o desejo por mais lucro e algumas tecnicalidades jurídicas levarem milhares de crianças a sofrer queimaduras.

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