A vida by Express

Temos lido e ouvido repetidamente, e somos cobrados, pela máxima da gestão atual que diz que temos que fazer mais, melhor, mais rápido e com menos.

É o mantra atual do mundo corporativo. A interpretação óbvia desse aspecto, muitas vezes distorcida ou enxergada somente por um dos vieses inerentes, nós também sabemos exatamente qual é.

Não é disso que venho falar aqui. Quero me ater aos aspectos que a perseguição unilateral dessa eficiência acarreta, inclusive transcendendo para a vida pessoal, não a vida que temos fora do trabalho, mas a que diz respeito a nós, pessoas.

Não é novidade para ninguém, nem de informação e nem de vivência atestada (coloco assim mesmo sabendo ser uma redundância), que estamos há décadas passando por sentimentos de incertezas, medos, inseguranças, aflições, baixa autoestima e falta de otimismo.

E que isso tudo nos traz, no final, a sensação de desamparo e solidão, como se estivéssemos sozinhos no mundo.

Temos sido reféns de paradigmas impostos e valorizados sobre o sucesso, a motivação superficial, a busca da felicidade etérea, o poder da decisão rápida, o ganhar tempo em tudo e o produzir competências e resultados diários e seguidos, como se eles pudessem ser comprados em shopping ou “traçados” em fast foods.

A vida tem imposto regras, parâmetros e desafios (?) que têm nos distanciado cada vez mais da nossa essência. Isso quando sabemos ou soubemos um dia qual era ela.

E se temos vivido nesse estado constante, correndo ou fugindo ofegantes desses fantasmas, o que sobra de nós como doação, entrega, disponibilidade, acessibilidade e disposição para o nosso entorno, além disso?

Que cota de energia conseguiremos dar aos nossos papéis profissionais e na sociedade, às nossas equipes, aos nossos contratantes, aos nossos parceiros, às nossas companhias na vida, aos nossos propósitos e sonhos, se estamos tão ocupados com esse movimento de tudo Express?

É claro que não estamos numa melhor fase: e falo isso independente da crise atual. Mas temos tratado disso, dentro das nossas possibilidades? Temos compartilhado esses sentimentos e colocado nossas angústias na mesa?

Temos praticado o sentido de apoio mútuo que momentos difíceis despertam tal demanda em nós?

As dificuldades nos faz crescer? Sim e especialmente se puder contar com apoios, solidariedade, estímulos e facilitadores por parte de outrem. É um erro pensar que vamos vencer sozinhos e que vamos dar conta de tudo, sem precisar de alguém. Sem precisar mostrar nossa fragilidade ou insegurança a alguém.

Saímos em passeata em prol de um país e gestão mais honestos e transparentes. Do sucesso para todos e não para alguns. Da divisão de possibilidades e oportunidades. Da prática de uma cidadania saudável e compartilhada.

Eu me emocionei nesse domingo dia 13, ao ouvir o hino nacional cantado a muitas vozes juntas; sempre me emociono, mas ontem foi diferente. Assim como me emociono, quando presencio atitudes que olham para mais de um.

Estamos precisando parar um pouco essa busca frenética do ideal maquiado, e olhar para o lado: estamos precisando do que e de quem?

Devemos lutar, dia a dia, e não só em comícios marcados, por relações mais fortes, mais colaborativas e verdadeiramente parceiras!

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