Vendas de carros continuam aquecidas

As vendas de carros novos repetiram em junho o forte ritmo dos dois últimos meses, mas o resultado final, segundo algumas análises, foi prejudicado pela onda de protestos no Brasil, que tirou força do consumo. Números preliminares, baseados nos emplacamentos de veículos, mostram que o mercado está movimentando uma média de 14,8 mil automóveis e comerciais leves por dia útil, mais do que o volume diário ao redor de 14,4 mil unidades de abril e maio.

Mantendo-se essa toada, e considerando o tradicional reforço das vendas nos dois últimos dias do mês, estima-se que junho fechará perto de 300 mil carros emplacados, quase repetindo as 300,9 mil unidades do mês anterior, apesar de ter um dia útil a menos de venda. Até quarta-feira, 267 mil carros já tinham sido licenciados.

Contudo, como já se esperava, o mercado ficou abaixo dos 340,7 mil carros vendidos em junho do ano passado, quinto melhor mês da história para a indústria de veículos leves. Naquele mês, os emplacamentos dispararam com a corrida de consumidores às concessionárias para aproveitar cortes no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que chegavam a zerar a alíquota do tributo para carros populares.

A redução do IPI foi anunciada pelo governo em maio do ano passado para reverter uma tendência que se mostrava negativa no mercado de automóveis. A medida teve o impacto mais significativo nos três meses seguintes, levando ao pico de mais de 405 mil carros emplacados em agosto.

Pelo fortalecimento da base de comparação, a desaceleração no ritmo de crescimento da indústria era amplamente aguardada tanto por analistas independentes como por fabricantes de veículos e revendedores. A evolução nas vendas acumuladas de automóveis e comerciais leves, que estava próxima a 9% em maio, caiu para cerca de 7% perto do fechamento do semestre, segundo fonte com acesso aos emplacamentos diários.

Para alguns observadores, junho poderia ter mostrado um resultado ainda melhor não fossem as manifestações em diversas cidades brasileiras, que diminuíram, segundo eles, a disposição do consumidor em fazer compras. Rodrigo Nishida, analista da LCA, diz que as vendas diárias caíram de um ritmo de 15,6 mil carros – média registrada na primeira quinzena – para 13,9 mil unidades a partir da intensificação dos protestos na semana passada. Se fosse mantida a média da primeira metade do mês, junho atingiria a marca de 312 mil carros licenciados.

“Esse comportamento é estranho porque normalmente os licenciamentos ganham força no fim do mês. Mas isso indica que o consumidor pode estar esperando as coisas se acalmarem para voltar a comprar”, diz Nishida.

No início da semana, um relatório do Citi já relacionava protestos à queda de atividade no varejo. O texto, assinado pelos analistas Stephen Graham e Nicolas Riva, cita mudanças no comportamento dos moradores de grandes cidades nas duas últimas semanas para concluir que as pessoas não compram durante as manifestações.

Na briga das marcas, a Fiat se mantém na liderança neste mês, com 21,3% das vendas, conforme dados preliminares. Na sequência aparecem a Volkswagen (20%), a General Motors (18,4%) e a Ford (9,4%). Diferentemente dos meses anteriores, a Renault supera a Hyundai na disputa pela quinta posição. A marca francesa tem 6,5% do mercado em junho, enquanto a Hyundai atinge 5,1%.

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