Venda de álcool para o Japão pode render US$ 3 bi por ano

O álcool brasileiro vai abastecer carros no Japão, se isso depender dos planos das tradings Coimex e Mitsui. As duas companhias – a primeira, brasileira, e a segunda, japonesa – já criaram uma empresa, chamada CM Bioenergia, para tocar o projeto, que depende apenas do aval do governo japonês. A estimativa é de que as exportações proporcionem anualmente US$ 3 bilhões em divisas para o Brasil.

O álcool será utilizado na mistura com gasolina e diesel, em um esforço do Japão para se adequar ao Protocolo de Kyoto e reduzir as emissões de gases poluentes. Pelos cálculos da Mitsui, a demanda japonesa por álcool pode chegar a 12 bilhões de litros por ano, caso sejam aprovadas as misturas na gasolina e no diesel.

Estudos apontam uma mistura de 10% de álcool anidro na gasolina e 15% no diesel vendido naquele país. No Brasil, o álcool é misturado apenas na gasolina, em uma proporção de 25% do combustível vendido ao consumidor final. O presidente da Coimex, Isaac Popoutchi, acredita que as exportações devem ser iniciadas no ano que vem, ainda em pequenos volumes, para projetos piloto realizados por cidades japonesas.

A exemplo do governo brasileiro, os japoneses se preocupam com a confiabilidade no suprimento e com a volatilidade dos preços do álcool, fortemente influenciado pelo mercado internacional de açúcar. Por isso, a Coimex e a Mistui estão costurando um acordo com os principais produtores brasileiros do combustível para que ampliem seus volumes para atender ao novo mercado.

“É um projeto prioritário para a Mitsui, pois é uma energia renovável, com baixas emissões de poluentes e que, na produção, cria a possibilidade de emissão de certificados de resgate de gás carbônico, que o Japão precisará para cumprir o Protocolo de Kyoto”, diz o presidente da Coimex.

Ou seja, no futuro, a venda de álcool para o Japão poderá criar um mercado paralelo destes certificados, que podem ser emitidos pelos produtores de cana e comprados pelo governo japonês.

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