Venda da Santelisa afeta as exportações

O fim da operações da Crystalsev, comercializadora do açúcar, etanol e energia controlado pelo grupo Santelisa Vale, incorporado recentemente pelo grupo francês LDC (Louis Dreyfus Commodities), derrubará pela metade as exportações de Ribeirão Preto.

Apesar de produzido em usinas de cidades vizinhas a Ribeirão, o açúcar e o etanol das cinco unidades da Santelisa Vale eram comercializados pela Crystalsev, maior exportadora de Ribeirão e 70ª do Estado de São Paulo em vendas para o exterior no ano passado.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, a empresa também foi a única de Ribeirão a estar entre as 207 empresas paulistas com exportações acima de US$ 50 milhões em 2008. De janeiro a setembro de 2009, as exportações de açúcar e etanol em Ribeirão somaram R$ US$ 109,3 milhões -54,4% do total vendido. A empresa é a única a contabilizar na cidade as vendas desses produtos ao mercado externo.

Esse cenário, no entanto, deve mudar nos próximos meses, já que o LDC possui sua própria estrutura de comercialização e manifestou sua intenção de não utilizar a Crystalsev para essa tarefa. Deve ser aproveitada na nova empresa surgida após a incorporação, a LDC-SEV, apenas a infraestrutura da Crystalsev de estocagem e armazéns portuários.

Segundo especialistas e fontes do setor ouvidos pela Folha, a mudança será apenas estatística. Ela pode, porém, prejudicar a imagem da cidade, considerada a capital nacional do setor sucroalcooleiro.

Além das usinas da Santelisa, a Crystalsev é responsável também pela comercialização dos derivados de cana de outros grupos, como o Moema, que tem com um de seus controladores o empresário Maurilio Biagi Filho, que já foi presidente da Santelisa.

Segundo Biagi, que faz parte do conselho de administração da Crystalsev, a descontinuidade das atividades do grupo já havia sido decidida antes da incorporação da Santelisa Vale pelo grupo francês.

A única novidade que chega com a LDC-SEV, de acordo com Biagi, é a manifestação dos controladores da nova empresa de utilizar a infraestrutura da Crystalsev.

Ele diz, porém, não saber detalhes sobre os planos da LDC-SEV para a comercializadora, já que os conselheiros da Crystalsev ainda não se reuniram após a conclusão do negócio entre as duas empresas.

Para Biagi, a perda para Ribeirão será somente estatística. “Não vai perder exportação, os produtos vão continuar passando pela região. Não afeta em nada Ribeirão”, disse.

Coordenador do Núcleo de Comércio Exterior do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rodrigo Faleiros diz que, com a mudança, “o mercado de açúcar e etanol não deixa de existir”, mas a cidade terá prejuízos. “O fato em si não muda tanto, mas com certeza afeta a imagem! da cidade. É uma consequência indireta”, diz.

X