‘Veja’ denuncia ação do governo para sacrificar indústria do etanol

Reportagem da “Veja” publicada nesta semana denuncia a medida “esquizofrênica’ do governo brasileiro para manter os preços da gasolina nas bombas e sacrificar a indústria do etanol. A revista lembra que, amparando-se em medidas artificiais para conter a inflação, o governo proibiu a Petrobras de repassar os preços para o consumidor diante dos custos crescentes com a importação de gasolina e óleo diesel. Uma empresa de economia mista e capital aberto como a Petrobras deveria prestar contas aos seus acionistas. O governo, no entanto, detém a maior parte das ações e se esbalda em medidas que vão de encontro aos interesses da empresa. No ano passado, para que se tenha uma ideia, a Petrobras acumulou um prejuízo de 23 bilhões de reais, principalmente ao arcar com esse subsídio.

Ao privilegiar a importação de gasolina e óleo, a empresa sofreu uma queda nos lucros e será incapaz de cumprir a sua meta de investimentos, considerando que sua produção permanece estagnada há cinco anos.

Durante o governo Lula, propagandeou-se que o Brasil se tornaria a Arábia Saudita da matriz energética não poluente no mundo. A redução do preço do petróleo no exterior e o projeto de exploração da camada de pré-sal, no entanto, fizeram com que o projeto de bioenergia fosse esquecido. Em 2009, segundo dados do Itaú BBA, 90% dos carros flex eram abastecidos regularmente com etanol, uma vez que na comparação do litro da gasolina com o do etanol, o preço na bomba era 30% inferior. Os efeitos perniciosos, do governo, sobre o combustível gerado da cana-de-açúcar, fizeram com o que o número de carros abastecidos com etanol caísse abaixo de 30% em três anos.

Desde 2008, 40 das 450 usinas deixaram de operar. Mais 12 devem parar este ano. Entidades como a Alcopar (Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná), que representa as 30 usinas do estado defendem um marco regulatório para o setor. O governo responde com um pacote paliativo: redução de tributos de 12 centavos por litro, crédito subsidiado e aumento de 20% para 25% do porcentual de álcool na gasolina. Resolve muito pouco.

O tema da bioenergia estará em debate durante a 1ª Mostra Sucroenergética que será realizada, juntamente com a 10ª edição da Feira Metal Mecânica, de 24 a 27 de julho deste ano, no Parque de Exposições de Maringá (PR). Mais informações no site www.feirametalmecanica.com.br.

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