Vaivém das Commodities

Contrariando a lógica O frio polar deste início de ano nos EUA sugere aumento no consumo de petróleo, refletindo a maior demanda para aquecimento de ambientes fechados. Mas, para a IEA (agência internacional de energia), não é bem assim.

Razões Recentemente, o petróleo perdeu espaço nesse mercado para outros combustíveis, diz a agência. Além disso, o frio foi tão intenso que acabou reduzindo outras formas de consumo, como no transporte e o industrial. Locomover-se e operar fábricas ficou inviável em alguns dias.

Em alta Mas qualquer impacto do frio na demanda deverá ser neutralizado quando o clima ajudar. A IEA diz que o consumo de petróleo deverá crescer 0,4% nos EUA em 2014. A projeção anterior era de retração de 0,1%.

No Brasil Para o país, a IEA estima alta de 2,9% na demanda, inferior aos 4% registrados em 2013. O forte aumento no consumo de gasolina não deve se repetir. Para a demanda global, a projeção é de alta de 1,4%.

Vaivém das Commodities

Etanol de milho É de R$ 18 milhões o investimento para a montagem de uma usina de etanol de milho, com capacidade de moagem de 500 toneladas por dia e que opere na entressafra da cana (105 dias por ano).

Investimentos Se a usina for para a utilização de apenas milho, e processar 500 toneladas ao dia durante 330 dias, o investimento seria de R$ 45 milhões. A usina mista poderia pagar até R$ 20 por saca de milho, e a exclusiva de milho, R$ 18.

Ainda pouco Os dados são do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária). Se as oito usinas ativas do Estado de Mato Grosso usassem 500 toneladas por dia, seriam utilizados 1,3 milhão de toneladas do grão ao ano. O Estado produz 22 milhões de toneladas.

Parcerias O produtor e senador Blairo Maggi diz que uma das saídas para a construção de usinas de etanol de milho é a reunião de vários produtores.

Máquinas As vendas de tratores já se aproximam de 51 mil unidades neste ano no mercado interno. Esse volume supera em 23% o de janeiro a setembro do ano passado.

Ainda maior A evolução das vendas de colheitadeiras é ainda maior, com crescimento de 56%. Foram comercializadas 5.650 unidades até setembro.

Vaivém das commodities

A produção mundial de açúcar será de 162 milhões de toneladas na safra 2008/9. O consumo, de 165,5 milhões. A perda de ritmo da economia deve reduzir a demanda, mas, mesmo assim, haverá déficit, afirmou Leonardo Bichara, da Organização, à Bloomberg.

Vaivém das commodities

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e a Dedini vão investir R$ 100 milhões em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para a produção de álcool. O acordo, que será assinado hoje, prevê estudos voltados ao aperfeiçoamento de tecnologias industriais para a transformação da cana em álcool.

Vaivém das commodities

Após queda livre de 40%, o álcool voltou a subir na porta das usinas paulistas nesta semana. “Chegamos ao fundo do poço. Não tem como cair mais”, diz Antônio Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). A alta, tanto para o hidratado como para o anidro, foi de 0,27% nesta semana em relação à anterior.

NOVO PATAMAR

Pádua diz que, “agora, o álcool deve procurar outro patamar de preços e tem espaço para subir até R$ 0,15 por litro sem interferir nos preços ao consumidor, já que as distribuidoras estão com com boa sobremargem”.

OS NOVOS PREÇOS

Conforme pesquisa feita pelo Cepea, da Esalq-USP, o álcool hidratado foi vendido a R$ 0,5780 por litro, sem impostos, nesta semana. Já o anidro -usado como mistura à gasolina- subiu para R$ 0,6640.

INVESTIMENTOS

As commodities agrícolas devem ser um bom investimento nos próximos anos. Entre os produtos que se destacam estão açúcar, milho, trigo e algodão, impulsionados pela demanda por biocombustíveis e pelo aumento da renda na China e na Índia. A análise foi feita pelo banco UBS AG, o maior administrador mundial de recursos, segundo a Bloomberg.

Vaivém das commodities

Mais um pecuarista vai para a cana. Desta vez é Jovelino Mineiro, que deve destinar 80% das suas áreas para cana. Parte dessa área já estava sendo destinada para grãos, devido às dificuldades recentes da pecuária. O pecuarista acredita no avanço desse setor.

PARCERIAS

A busca de participação de produtores de cana-de-açúcar e de usinas nos projetos do alcoolduto da Petrobras pode dar certo. Sérgio Machado, da Transpetro, disse que a iniciativa precisa ser discutida em conjunto e feita em parcerias.

LOGÍSTICA

Há um consenso geral de que o problema da bioenergia no Brasil se resume à logística. Os custos de produção são baixos, há capital para investir, mas a colocação do álcool nos EUA representa hoje 20% dos custos. Se o produto for para a Ásia, 30%. É preciso uma redução desses percentuais para 10%, diz Machado.

SAFRA RECORDE

A safra nacional de grãos de 2006/7 deve ficar em 130,68 milhões de toneladas -número 8,1% superior ao registrado na safra anterior, de 120,92 milhões. Os dados foram divulgados ontem pela Conab.

RITMO FORTE

A Petrobras vai continuar apostando no álcool, segundo Maria das Graças Foster, da Petrobras Distribuidora. A empresa tem motivo para isso: no 1º trimestre deste ano, as vendas de álcool da Petrobras subiram 65%. Já as de gasolina tiveram pouca evolução.

TROCA DE COMANDO

André Nassar assume o Icone, cuja presidência foi deixada por Marcos Jank para dirigir a Unica. O Icone é um instituto que estuda mercados emergentes, biocombustível, políticas agrícolas internacionais e políticas de comercialização.

Vaivém das commodities

Os dados são do Instituto de Economia Agrícola e foram levantados por Felipe Pires de Camargo, que destaca a pressão do setor sucroalcooleiro nos últimos anos. Outro destaque é o preço das áreas de pastagens, que vem subindo devido à recuperação de renda na bovinocultura. Esta acaba forçando a alta dos preços no setor de grãos.

BIODINÂMICO

A Usina São Francisco, proprietária da marca Native, converteu parte de sua área ao sistema biodinâmico de produção, que visa a expressão total do potencial das plantas pela integração da atividade agrícola às forças da natureza. A propriedade é encarada como um organismo vivo e auto-suficiente, com múltiplas atividades agropecuárias, integradas entre si e ao ecossistema.

CERTIFICAÇÃO

Com isso, o açúcar cristal Biodinâmico, da Native, recebeu o primeiro certificado Demeter em todo o mundo, emitido pelo Instituto Biodinâmico.

Vaivém das commodities

O mercado de biocombustível continua mexendo com as negociações da soja em Chicago. Maior demanda do produto para rações -devido ao desvio do milho para a produção de álcool- e maior procura de óleo de soja pelas indústrias de biodiesel elevaram os preços da soja em grão ontem para o maior patamar desde meados de 2004. O primeiro contrato fechou a US$ 8,05 por bushel, com elevação de 33% nos últimos 12 meses.

Vaivém das commodities

Pitoli diz que, rompido o piso psicológico de R$ 2, não é difícil a moeda chegar a R$ 1,90, inclusive com o auxílio do agronegócio. Na avaliação dele, o setor deve trazer ainda para o país US$ 4,5 bilhões em soja e US$ 650 milhões em milho, além de divisas em carnes, açúcar, café e suco.

CANA E CONTRADIÇÕES

Uma exposição fotográfica ambulante de Patrícia Cardoso revela o mundo da cana, seus desdobramentos e contradições. Após uma semana em Ribeirão Preto, a exposição percorre ainda outras cinco cidades paulistas: Araraquara, Araras, Pirassununga, Itapira e Piracicaba, ficando também uma semana em cada.

Vaivém das commodities

O ministro da Agricultura do Japão, Toshikatsu Matsuoka, dirigiu ontem um carro movido a álcool e ficou impressionado com o desempenho. Em sua curta visita ao Brasil, ele esteve na fábrica da Honda, na cidade de Sumaré (SP). Matsuoka mostrou-se indignado com o fato de uma montadora japonesa fabricar carros a álcool no Brasil mas não no Japão.

IMPRESSIONADO 2

Matsuoka também ficou impressionado com o desenvolvimento tecnológico brasileiro no uso do álcool combustível. Após a visita ao Brasil, o ministro disse que pretende dedicar toda a sua força para cumprir mais aceleradamente a meta do governo japonês de adicionar 10% de álcool à gasolina.

PRIMEIRO PASSO

De acordo com o ministro, no final de abril alguns postos no Japão começaram a vender gasolina misturada com álcool, mas em proporção muito pequena -abaixo dos 3% permitidos pela legislação.

A TODO O VAPOR

A produção de cana-de-açúcar deve crescer 53% neste ano em relação a 2006 em Uberaba (MG). Os dados são do IBGE, que aponta produção de 3,4 milhões de toneladas para esta safra. A área de cana na região subiu para 56 mil hectares.

Vaivém das commodities

Após duas semanas em queda, os preços do álcool subiram nas usinas. O anidro foi a R$ 1,091 por litro (mais 1,91%) e o hidratado aumentou para R$ 0,963 (mais 2,11%).

ANTECIPAÇÃO – O governo do Estado quer acelerar o fim da queima da cana em São Paulo. A decisão passa não só pelos produtores, mas também pelas indústrias, que devem ter ritmo maior de produção de colhedoras.

CONCENTRAÇÃO – O fim da queima, que é inevitável, vai gerar concentração ainda maior de poder nas usinas. Sem cacife para a compra de máquinas, os fornecedores de cana-de-açúcar às usinas devem deixar a atividade.

Vaivém das commodities

Para dar aos produtores opções de novas variedades e alternativas mais rentáveis de produção, inclusive voltadas para o biodiesel, pesquisadores da Fundação Goiás e da Embrapa intensificam as pesquisas no setor do algodão.

BIOCOMBUSTÍVEL

Na região Centro-Oeste, o algodão pode ser a principal cultura para a produção de biocombustível, seguido da soja, segundo a Embrapa. Para atender ao mercado de energia, é necessário produzir algodão que tenha teor de óleo entre 25% e 30% e que não prejudique a fibra.

Vaivém das commodities

À frente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) por vários anos, e um dos principais entusiastas do setor sucroalcooleiro, Eduardo Pereira de Carvalho está de saída da entidade. Pereira dirige a Unica, entidade que congrega usinas do centro-sul do país, desde o início da década. Ele deve desenvolver “um trabalho próprio”. O executivo deixa a Unica no momento de auge do setor.

MOLA PROPULSORA

Carvalho foi um dos responsáveis pelas negociações entre indústrias automobilísticas e usinas para o avanço do carro flex no Brasil, o que deu novo fôlego à produção de álcool no país. Defensor do álcool como commodity, o que garantiria liquidez e maior procura ao produto também por outros países, Carvalho rodou o mundo nos últimos anos com esse objetivo. Foi responsável também pelo contencioso do açúcar na OMC (Organização Mundial do Comércio), ganho pelo Brasil.

Vaivém das commodities

GERAÇÃO NAS USINAS – Dados de ontem da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) sobre a geração de energia indicam que a capacidade atual das usinas é de 4.500 MWh. Desses, 1.600 são exportados. Na safra 2012/3, esse potencial será de 17,4 mil MW, com exportação de 8.700.

CONEXÃO – Para que ocorra esse crescimento da expansão de oferta de energia pelas usinas, deve ser resolvido, no entanto, o problema da conexão, que inviabiliza os novos projetos, localizados em locais mais distantes, segundo os usineiros.

EFEITO SAFRA – O início de operação de 60 usinas nesta safra derrubou os preços do álcool. Nesta semana, o anidro foi negociado a R$ 1,0707 por litro, com queda de 0,07% em relação à anterior. Já o hidratado recuou para R$ 0,9430 por litro, com queda de 0,71%. Os dados são do Cepea e se referem aos preços nas usinas, sem impostos.

BRASIL CENTRAL – Um grupo de 14 empresários criou o Instituto Bioenergético do Brasil Central para exportar álcool para o Japão, que pode importar até 6 bilhões de litros. A intenção é construir 30 usinas em Uberaba e cidades da região. As operações seriam feitas pela Petrobrás e pela Japan Alcohol Trading. O financiamento viria do Japan Bank International Corporation.

Vaivém das commodities

O GRANDE DESAFIO

A competição entre alimentos e energia, que avança cada vez mais com o aumento da produção de álcool, vai ser diminuída com a celulose. Pearse Lyons, presidente da Alltech, disse ontem em Campinas (SP) que uma tonelada de celulose rende 265 litros de álcool; uma de milho, 378 litros.

ABUNDÂNCIA

Lyons estima que só nos EUA seja produzido 1,4 bilhão de toneladas de fibras de celulose a partir de vários produtos, sendo que 900 milhões poderiam ser transformadas em álcool. O resíduo, cerca de 500 milhões, poderia ser convertido em ração.

OPORTUNIDADE

Os EUA consomem 530 bilhões de litros de gasolina. Com a substituição de 10% por álcool haveria demanda de 140 milhões de toneladas de cereal. Desse total, um terço seria de fibra protéica, um subproduto de destilaria (Destillers Dried Grains with Solubles-DDGS).

Vaivém das commodities

ATRASO NA ENTREGA

Muitas usinas paulistas estão atrasando o início da moagem de cana em duas semanas. O motivo é o atraso na entrega de equipamentos pela indústria de base. Com isso, os preços do álcool vão cair mais devagar.

PROIBIDA A QUEIMA

A Justiça Federal expediu liminar (decisão provisória) proibindo a queima de cana em 27 municípios do nordeste do Paraná: Segundo a Justiça, a prática prejudica o ambiente, os trabalhadores rurais e a população próxima aos canaviais.

ITAIPU NO ÁLCOOL

A binacional Itaipu negocia com a gaúcha Limana a compra de microdestilarias de álcool. Com capacidade para 1.200 litros/dia, as usinas teriam cunho social e seriam destinadas a produtores do Paraguai.

ALÉM DAS FRONTEIRAS

A comercialização de pequenas usinas pela Limana avança as fronteiras. Além do fornecimento para o Paraguai, a empresa fornecerá microdestilarias também para o Uruguai, segundo Denis Renato Delavi.

Vaivém das commodities

EFEITO BIODIESEL 1

O avanço do programa nacional de produção de fontes alternativas, inclusive o biodiesel, deu novo ânimo à safra de mamona no país, embora este não seja o produto mais adequado para a produção do combustível, segundo especialistas no setor.

EFEITO BIODIESEL 2

A área destinada à produção de mamona sobe para 196 mil hectares neste ano, 43% acima da de igual período anterior. Já a produção deve atingir 173 mil toneladas, com evolução de 87%, conforme dados divulgados pelo IBGE.

Vaivém das commodities

ETANOL PARA O JAPÃO – O grupo São Martinho assinou contrato de compra e venda de etanol com a Mitsubishi Corporation, prevendo a exportação de álcool por 30 anos. O grupo também vendeu aos japoneses 10% do capital da Usina Boa Vista.

Vaivém das commodities

O cenário da agricultura mudou e os preços das commodities voltaram a subir, impulsionados pela agroenergia -que é a busca de fontes renováveis de energia com a utilização de produtos agrícolas como cana-de-açúcar (álcool) e soja (biodiesel). No momento em que os produtores começam a entregar a safra deste ano, as indústrias iniciam o repasse dos preços.

NÃO SÓ DE ÁLCOOL

O mercado futuro de açúcar negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros bateu recorde histórico de volume ontem, ao atingir 2.654 contratos.

Vaivém das commodities

VIAGEM ADIADA

Jeb Bush, irmão do presidente George W. Bush, viria ao Brasil na próxima semana para tratar de assuntos sobre o etanol. Membro da Comissão Interamericana de Etanol, Jeb se encontraria com Roberto Rodrigues, também membro da CIE.

SEM MISTURA

Com a vinda do irmão-presidente ao Brasil, o ex-governador da Flórida resolveu adiar a viagem para não “misturar questões privadas com públicas”. O objetivo da comissão é divulgar o combustível nas Américas.

OFERTA MENOR

Os preços do açúcar se recuperaram ontem no mercado internacional devido à possibilidade de aperto maior na oferta do produto. Em Nova York, a alta foi de 0,5%, mas o açúcar ainda registra queda de 37% no acumulado em 12 meses.

Vaivém das commodities

USINAS NOS EUA

O balanço do final de janeiro indicava que os Estados Unidos já têm em operação 112 usinas de etanol espalhadas pelo país, enquanto outras 76 estão em construção. A produção norte-americana de etanol já atinge 19 bilhões de litros.

PROJETOS

A febre da agroenergia é tão aguda nos Estados Unidos que uma assessoria especializada já contabiliza 267 projetos em gaveta. A maioria deles, no entanto, de longo prazo e à espera da tecnologia do etanol de celulose.

Vaivém das commodities

MAURO ZAFALON – mzafalon@folhasp.com.br

ALIADOS DO ÁLCOOL

Os produtores brasileiros de álcool estão ganhando aliados nos Estados Unidos. Associações de produtores de gado estão insatisfeitas com os subsídios e com o protecionismo dado ao etanol naquele país.

REDUÇÃO DE APOIO

Os incentivos à produção e as barreiras às importações de etanol impostas pelos EUA encarecem o milho, tornando difícil a vida dos pecuaristas, que querem um cronograma curto de incentivos ao combustível.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0902200731.htm

Vaivém das commodities

ETANOL NOS EUA

O Brasil deve ser beneficiado com o aumento do consumo de etanol nos Estados Unidos -de acordo com a intenção anunciada no discurso de Bush. Na forma direta, esse efeito virá por meio do incremento da exportação brasileira de etanol e, indiretamente, pelo crescimento das vendas ao exterior de milho e soja e na sustentação dos preços internos dessas commodities.

BUSCA POR MERCADOS

Para o economista e analista da área de bioenergia da consultoria Safras & Mercado, Miguel Biegai, é improvável que os EUA consigam atingir a meta de atender a demanda anual de 132,5 bilhões de litros de etanol projetada para 2017 -hoje produzem cerca de 20 bilhões de litros-, o que obrigará o país a entrar no mercado internacional para suprir necessidades.

TARIFA

A necessidade norte-americana por etanol deve flexibilizar as importações, que hoje são taxadas com imposto de importação de US$ 0,142 por litro, diz Biegai. O Brasil vendeu diretamente para os americanos no ano passado 1,7 bilhão de litros, dos 17,5 bilhões produzidos na safra 2006/07.

SUBSÍDIOS

O discurso do presidente norte-americano, George W. Bush, no qual propôs aumentar o uso do etanol no país, sinalizou o que deve ser aprovado na lei de política agrícola deste ano: maiores subsídios para as produções de milho e de etanol, na opinião do analista Biegai.

Vaivém das commodities

PASSAGEM TRANQÜILA

Os estoques de álcool nas unidades produtoras superam 4,5 bilhões de litros, para um consumo interno que ainda não atingiu 1,1 bilhão de litros por mês. O volume é suficiente para garantir o abastecimento até o final de abril de 2007.

ABASTECIMENTO

Por isso, se houver “a falta de um só litro de álcool em qualquer um dos cerca de 36 mil postos, deve ser atribuída à falta de gerenciamento e planejamento por parte das distribuidoras ou dos postos de combustíveis”, diz a Unica.

Vaivém das commodities

SAFRA EM DEZ ANOS

Estudo divulgado ontem pelo ministro da Agricultura, Guedes Pinto, mostra que o Brasil continuará com grande participação e importância nos mercados mundiais de grãos e de carnes nos próximos dez anos, mas alguns dados -como os do milho- são um pouco acanhados em relação ao país.

NÚMEROS ACANHADOS

Na estimativa do milho, ao indicar maior participação dos EUA nas exportações em 2016, o estudo contraria o mercado. Com o avanço da produção de etanol, os norte-americanos vão reduzir essa participação, abrindo espaço para os brasileiros, mostram análises atuais.

LÍDER

O estudo, que é de várias entidades ligadas ao setor, mostra que o Brasil manterá liderança em produção ou exportação de soja, açúcar e carnes, aumentando a participação no mercado internacional em outros.

DADOS INTERNOS

A safra brasileira de grãos é estimada em 148 milhões de toneladas em 2016. Os cereais básicos -arroz e feijão- têm pouca mudança na produção, em relação aos dados atuais, o que não ocorrerá com os demais grãos.

TRIGO SOBE MAIS

A safra nacional de trigo deverá atingir 7,5 milhões de toneladas (mais 53%), para um consumo de 13,9 milhões. Já a produção de soja vai a 72,4 milhões (mais 30%) e a de milho, a 51,5 milhões (mais 26%).

RECORDE NA CANA

A safra 2006/7 de cana-de-açúcar deverá atingir o recorde de 371 milhões de toneladas na região centro-sul, com aumento de 10% em relação à anterior, informou ontem a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Com isso, as produções de açúcar e de álcool também serão recordes.

SAFRA ALCOOLEIRA

Do total a ser utilizado pelas usinas, 50,4% serão destinados à produção de álcool, ficando o restante para açúcar. A produção de álcool deverá atingir 15,9 bilhões de litros, 11% mais do que na safra anterior. Já a produção de açúcar deverá subir para 25,8 milhões de toneladas, com alta de 17%.

CENÁRIO

Embora evite fazer comentários sobre a próxima safra, a diretoria da Unica afirmou à Reuters que a fatia da produção destinada ao álcool aumentará, com o mercado interno do combustível figurando como a “mola propulsora” do setor.

INVESTIMENTOS

O setor sucroalcooleiro deverá investir cerca de R$ 15 bilhões nos próximos seis anos. Esses investimentos têm como fundamento básico o crescimento do mercado interno, segundo Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da Unica.

Vaivem das commodities

Os chineses querem saber quais os rumos da soja na América do Sul. Qual a oferta e a demanda na região, principalmente com as perspectivas de avanço da produção de biodiesel com base nesse produto.

DEPENDENTES

Tendo a América do Sul como importante fornecedor, os chineses querem saber o impacto do biodiesel sobre a demanda de óleo. Para clarear o assunto, as Bolsas Dalian (maior Bolsa de soja da China) e Bursa Malaysia (de óleo de palma da Malásia), convidaram André Pessôa, da Agroconsult.

ARROZ EM ALTA

A dificuldade para encontrar arroz e a retração de alguns produtores provocaram nova valorização nos preços do grão ontem nas cooperativas do Rio Grande do Sul. O agulhinha em casca chegou a ser negociado a R$ 23 por saca em Itaqui (RS). A alta em 30 dias é de 11,6%.

NÃO É BEM ASSIM

O ministro da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto, rebateu ontem os argumentos de estrangeiros, de que o Brasil só tem produtos agrícolas baratos porque tem mão-de-obra “forçada” (ou escrava) e avança sobre reservas florestais.

NÃO PROCEDEM

Essas acusações não procedem, diz Guedes Pinto. “Toda vez que alguém ganha, desloca outro.” Ou seja, produto barato não tem relação com mão-de-obra escrava e devastação, mas com boa produtividade.

OS DADOS

Guedes Pinto cita dois dados para rebater as reclamações de estrangeiros. Dos 12,3 milhões de trabalhadores “forçados”, apenas 4.273 estão no meio rural brasileiro. Mas admite que “não deveria haver nenhum”.

FLORESTAS

Há 8.000 anos, quando houve a última mudança significativa do clima, o Brasil tinha 9,8% da floresta original mundial e a Europa, 7,3%. Hoje, o Brasil tem 28,5% e a Europa apenas 0,1%, diz o ministro, citando estudo da Embrapa.

PRODUÇÃO PEQUENA

Guedes Pinto diz que apenas 0,27% do plantio de soja está na área da floresta amazônica e apenas 1,5% da carne exportada vem dessa região.

RITMO BOM

As exportações de carne mantiveram bom ritmo na segunda semana deste mês, segundo dados da Secex. A média diária com as vendas externas subiu para US$ 43 milhões na quinzena, 21% a mais do que no mesmo período de 2005.

LÍDER

As receitas com açúcar cresceram 111% na primeira quinzena em relação às de outubro de 2005. A média diária com as exportações foi de US$ 34 milhões. No mercado externo, o açúcar subiu 5,2%, ontem.

X