Usineiros de São Paulo acreditam que produção de álcool será maior

A produção nacional de álcool será, seguramente, maior que os 17 bilhões de litros da safra anterior, suficiente para fazer frente ao crescimento da demanda no mercado interno e para atender às exportações, conforme afirmou à Agência Brasil o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho.

Ele diz que a evolução da agroindústria sucroalcooleira é indiscutível: basta ver os constantes ganhos de produtividade. Ele admite, contudo, que essa evolução não acontece de forma linear, visto que a produção está sujeita a fatores climáticos e sazonais, como nos demais produtos agrícolas. Há momentos, segundo ele, em que a oferta é maior que as necessidades do mercado, e épocas em que a procura supera a capacidade de abastecimento.

A redução momentânea da oferta de álcool, por causa da entressafra, se constitui para ele em um “solavanco” típico de mercado; mas assegura que é uma falta “perfeitamente administrável”, porque os avanços tecnológicos permitem ao setor antecipar parte da safra, e “logo-logo, o abastecimento estará plenamente garantido”.

Eduardo Pereira acredita que a melhor forma de evitar que a carência de álcool se repita no futuro é fazer estoques estratégicos, nos mesmos moldes de outros produtos agrícolas administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Ele revelou que representantes dos usineiros já se articulam com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para discutir a viabilidade de armazenagem do produto.

Na última quinta-feira, eles conversaram com o ministro Roberto Rodrigues sobre o assunto, por ocasião de visita que o ministro da Agricultura fez à 4ª Feira de Negócios da Agroindústria Sucroalcooleira, em Araçatuba-SP.

Ele contesta as críticas de que os recentes aumentos de preços do álcool sejam determinados pelos usineiros. O dirigente da Unica enfatizou que ao contrário da Petrobrás, que pode deliberar sobre o preço da gasolina na refinaria, tal política seria impossível em um universo com mais de 360 usinas que oferecem o produto a uma centena de distribuidores autorizados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Além disso, lembra que o álcool hidratado (para abastecimento direto no tanque do carro) e o álcool anidro (para misturar à gasolina) são distribuídos nos cerca de 30 mil postos de combustíveis do país, e nessa cadeia também interferem impostos federais e estaduais diferenciados, que determinam o preço final na bomba.

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