Usinas já travaram os preços de 80% do açúcar para exportação

Uma conjunção de fatores favoráveis para a remuneração do açúcar para as usinas em reais provocou uma corrida para a fixação dos valores do produto na exportação na atual safra 2016/17. E, com o ritmo recorde de fixação, há apenas um pequeno volume de açúcar para ser travado a partir de agora.

Estima-se que, das cerca de 24 milhões de toneladas de açúcar que o Brasil deve exportar nesta temporada, 80% tenha tido o preço fixado. Isso representa 19,2 milhões de toneladas de açúcar cujo preço já foi definido – embora isso não represente um compromisso com compradores. Considerando que as projeções para a produção de açúcar do Centro-Sul na safra atual oscilam perto das 34 milhões de toneladas, o volume de açúcar cujo preço foi travado representa 56% do que deve ser fabricado.

Nos cálculos da Archer Consulting, o preço médio fixado para esse volume foi de R$ 1.206 a tonelada, mas durante o primeiro bimestre do ano, o valor em moeda nacional chegou a bater a marca histórica de R$ 1.600 a tonelada.

O percentual de 80% de fixação dos preços foi alcançado em fevereiro, e desde então as usinas pisaram no freio, travando o preço de um pequeno volume de açúcar, diz Arnaldo Correa, diretor da consultoria.

Conforme o analista, esse patamar pode ser considerado recorde. No histórico recente, o nível de fixação mais elevado que se obteve nesse período foi em 2012/13, quando o preço de 68% do açúcar para exportação tinha sido fixado.

O período mais febril de realização de hedge nesta safra ocorreu nos dois primeiros meses do ano. Naquele momento, os preços do açúcar na bolsa de Nova York estavam firmes por causa do período de entressafra no Brasil e de uma estimativa de déficit no ciclo global 2015/16. (ver Projeção de déficit de oferta em 2015/16 é elevado )

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