Usinas do Noroeste Paulista abrem mais de 1500 postos de trabalho

Um levantamento feito pela Biocana, Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Energia, mostra que, na região noroeste do Estado de São Paulo, as usinas abriram cerca de 1500 vagas de emprego neste início de ano. Há oportunidades para motoristas, eletricistas, mecânicos, soldadores, operadores de colhedora, engenheiros, profissionais de Recursos Humanos, entre outras áreas.

Segundo a presidente da Biocana, Leila Alencar Monteiro de Souza, a demanda maior é por profissionais que atuam nas frentes mecanizadas. “Isso era esperado, devido ao avanço na mecanização nos canaviais paulistas, que já ultrapassa o índice de 63%. A partir de agora, o perfil do profissional exigido pelo mercado é outro. Precisamos de pessoas com visão de futuro, tanto em nível operacional quanto técnico, que estejam aptas a se capacitar continuamente para acompanhar as transformações tecnológicas por que passa a nossa atividade”, salienta a presidente.

A mecanização avança e mais uma vez os profissionais de Recursos Humanos tentam resolver uma situação que preocupa nesta safra: a falta de mão-de-obra qualificada. Muitas vagas podem deixar de ser preenchidas simplesmente porque os candidatos não atendem os pré-requisitos da função. Para driblar este obstáculo, os departamentos de RH das usinas associadas à Biocana se valem de estratégias que vão desde a divulgação das vagas em emissoras de rádio, TV e jornais locais, até a utilização dos serviços de balcão de emprego. “Há casos em que as empresas fazem uma divulgação bem peculiar, como o anúncio das vagas através de auto-falantes das igrejas de cidadezinhas da região ou mesmo por meio de carros de som”, comenta a presidente da entidade.

Só para se ter uma idéia, uma das afiliadas abriu, nesta nova safra, 110 vagas, sendo 66 delas para motoristas.

De acordo com o Gerhai, Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria, o setor sucroenergético deverá gerar cerca de 200 mil postos de trabalho em todo o Brasil nos próximos 5 anos. “Este número é decorrente das novas unidades industriais que estão em construção no país e da previsão de expansão da produtividade nas plantas atuais”, explicou o diretor do Gerhai, José Darciso Rui.

O presidente do Grupo, Mauro Jesus Garcia, que também atua como gerente de RH da usina Nardini, complementou: “O interessante deste novo cenário é que as pessoas, a partir do conhecimento absorvido, estarão mais valorizadas.”

Enquanto esta equação não tem uma solução equilibrada, as usinas investem pesado em cursos e treinamentos para atender à demanda. Em todo o país, a indústria canavieira realiza mais de 160 programas de capacitação. Atividades como: desenvolvimento de competências técnicas e preparação de trabalhadores rurais para novos cargos; incentivo à educação formal em cursos dos ensinos fundamental e médio e desenvolvimento de equipes, incluindo cursos, palestras e encontros para estimular o trabalho conjunto, fazem parte da programação das empresas. Para se ter ideia, recentemente, as usinas da região noroeste de São Paulo entregaram diplomas para participantes de mais de 15 projetos técnicos e educacionais. Cerca de 70 trabalhadores rurais da região foram alfabetizados, através de uma parceria com o Senar, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Depois de aprender a ler e a escrever, eles já passaram por outros cursos como o de olericultura e o de tratorista.

O objetivo é alocá-los em novos cargos. Outra iniciativa que formou mais de 50 pessoas foi o Projeto Jovem Aprendiz Rural, do Governo Federal. Na região noroeste de São Paulo, o projeto é realizado através do Senar em parceria com Sindicato Rural Patronal de Catanduva, Biocana, Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) e prefeituras. O objetivo é preparar os jovens de 14 a 18 anos incompletos para trabalharem na agroindústria. Pelo quarto ano consecutivo, o projeto será realizado na região, beneficiando, principalmente, filhos de colaboradores das usinas associadas.

Especialização – Na visão do grupo de estudos de RH da Biocana, é preciso também investir na reciclagem de quem já atua no setor. É o caso dos profissionais que ocupam cargos de gestão e outras funções estratégicas que exigem formação em nível superior. De olho nesta carência, a entidade firmou, em 2006, uma importante parceira com a UFSCar, Universidade Federal de São Carlos e trouxe para Catanduva o MTA (Master of Technology Administration) em Gestão da Produção Industrial Sucroenergética.

Trata-se de uma especialização em nível de mestrado Lato sensu que hoje é ministrada em 4 cidades do interior paulista. Em Catanduva, as aulas são presenciais e acontecem aos sábados, a cada 15 dias. A duração do curso é de 1 ano e 8 meses. Na cidade, duas turmas já foram formadas e as inscrições para a terceira estão abertas. “O propósito desta especialização é capacitar administradores de empresas, engenheiros, tecnólogos e demais profissionais com formação em nível superior que exercem ou pretendem exercer atividades relacionadas ao setor sucroenergético, a atuarem no gerenciamento das atividades, através das tecnologias e tendências, visando à qualidade e, principalmente a sustentabilidade socioeconômica e ambiental”, esclarece o coordenador do curso, Prof. Dr. Octávio Antonio Valsechi.

O corpo docente do MTA é formado, em sua maioria, pelos professores, mestres e doutores do Departamento de Tecnologia Agroindustrial e Socioeconomica Rural do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos (DTAISER/CCA/UFSCar). São renomados pesquisadores do antigo IAA/PLANALSUCAR, fundado há mais de 35 anos, sendo considerado o berço dos estudos da cana-de-açúcar.

Na programação, os estudantes entram em contato com disciplinas como: produção de cana-de-açúcar orgânica, remuneração da matéria-prima, mercados e perspectivas para açúcar, álcool e energia, mercado de carbono, controle de qualidade de produtos e subprodutos, geração e co-geração de energia, gestão de água e de resíduos na indústria, novas tecnologias no setor sucroenergético, gestão de recursos humanos, logística industrial, entre outros. “O MTA contribui para minimizar esta deficiência que o setor enfrenta com a falta de mão-de-obra, ao mesmo tempo em que visa tornar a atividade cada vez mais especializada, com vistas a uma produção cada vez mais sustentável”, finalizou a presidente da Biocana.

Mais informações: (17) 3522 – 9026 ou pelo e-mail: mta@biocana.com.br

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