Usinas diversificam e querem suas marcas até em iogurtes

Parte do time de gigantes do setor sucroalcooleiro representado pelos grupos Cosan —maior exportador de açúcar do País—, Balbo —maior embarcador da versão orgânica do produto— e Copersucar União partem para uma briga mais audaciosa: a consolidação de suas marcas em outras categorias alimentícias. Os lançamentos vão desde os chamados matinais, como achocolatados e barras de cereais, e futuramente chegarão aos lácteos, como iogurtes.

O Grupo Cosan acaba de investir R$ 5 milhões em uma megacampanha publicitária. Embora o alvo seja o açúcar da Barra, a mira da companhia é mais ampla: atingir outros produtos, como o achocolatado, e servir de cartão de visita para novos lançamentos.

“Os consumidores vão associar o fabricante à marca e, assim, elevar as vendas dos outros produtos do grupo. Queremos ampliar a participação das vendas de varejo, com a marca Barra, nos negócios do grupo”, afirma o diretor presidente da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello.

O carro-chefe da campanha, o Açúcar da Barra, detém 14,5% do mercado, sendo a segunda marca mais vendida no País. Atualmente, o varejo representa 20% do faturamento da Cosan, que pretende elevar a receita em cerca de 33%, fechando o ano em R$ 2,4 bilhões.

Segundo Mello, esse aumento será obtido com o crescimento do consumo dos produtos da Barra no mercado interno e a soma das receitas das últimas aquisições: as usinas da Barra e Junqueira.

Até o momento, o grande gerador de caixa são as exportações de açúcar do grupo.

O 1,5 milhão de tonelada embarcado por ano garante uma receita da ordem de US$ 200 milhões.

Grupo União

Já o Grupo Copersucar União, que detém 40% do mercado brasileiro de açúcar, entra na próxima semana em um novo nicho, o de barras de cereais. Após 93 anos de existência e de uma experiência no ramo de cafés, a empresa quer deixar de ser apenas uma usina produtora de açúcar para se transformar em uma indústria de alimentos.

O grupo estuda lançar, em breve, bolos prontos, bebidas, leite condensado, biscoitos, achocolatado, balas e até iogurte com a marca União. A meta é duplicar o faturamento do setor de varejo em cinco anos, passando dos atuais R$ 600 milhões para R$ 1,2 bilhão.

Com a diversificação, a empresa reduzirá a dependência do açúcar —que possui baixo valor no mercado internacional— para ganhar mais com produtos de maior valor agregado.

As vendas da empresa no varejo, hoje limitadas ao açúcar refinado, light e especiais, representam 17,3% da Copersucar. O grupo União fatura US$ 1,2 bilhão por ano. Do total, 53,4% são vendas de açúcar (varejo, para indústrias e exportação) e 46,6% de álcool (anidro, hidratado e comércio exterior).

Native

Quem mais tem apostado na diversificação do seu portfólio é o Grupo Balbo, dono da marca de produtos orgânicos Native. Há dois anos, ele iniciou o lançamento de produtos com maior valor agregado, como os matinais: café, suco, chá e achocolatado, todos orgânicos, ou seja, cultivados sem adição de agrotóxicos.

Grupos Cosan, Balbo e Copersucar pretendem marcar presença em outras categorias de alimentos nas gôndolas do País.

Fonte: Panorama Brasil

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