Usinas de cana da Paraíba são parceiras para a manutenção da diversidade da Mata Atlântica

As usinas de cana Japungu, Miriri, Monte Alegre e São João, localizadas na Paraíba, são parceiras para a manutenção de toda a diversidade da Mata Atlântica.

“Elas [as usinas] são parceiros estratégicos e essenciais”, disse Pedro Cordeiro Estrela, pesquisador e biólogo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no seminário “Diálogos de Sustentabilidade no Setor Sucroalcooleiro: Fauna e Floresta”, realizado entre os dias 19 e 20 deste mês de abril na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em João Pessoa (PB).

Juntas, as quatro unidades sucroenergéticas detêm uma área de aproximadamente nove mil hectares de mata que, segundo o pesquisador e biólogo da UFPB, é a ‘arca de Noé’ da Mata Atlântica paraibana.

De acordo com ele, as indústrias paraibanas contribuem de uma forma imensa para a preservação.

“Só a Japungu, que é o exemplo mais emblemático de todos, tem duas reservas privadas de proteção da natureza, as Reservas Naturais do Patrimônio Natural (RPPN’s) do Engenho Gargaú e Pacatuba, que totalizam cerca de 1.200 hectares”, destaca Estrela. “Essas duas reservas geraram quase tanta informação quanto a Reserva Biológica Guaribas, que pertence ao Governo Federal.”

Ele lembra que a reserva Guaribas, que fica em Mamanguape, foi criada para preservar o macaco Guariba –de-mãos-vermelhas, que é um animal que existe também na Amazônia.

Estrela, pesquisador: “usinas são parceiras estratégicas” (Foto: Asplan/Divulgação)

“Esse animal desapareceu da reserva Guaribas e foi achado na RPPN Pacatuba, que é da Japungu, alguns desses animais foram realocados de uma reserva privada, pertencente à usina, para serem reintroduzidas em uma reserva federal. Essa foi uma contribuição imensa, pois esses animais estão ameaçados de extinção”, explica.

“As usinas daqui preservam e geram informação científica por essa preservação, pois temos uma centena de trabalhos acadêmicos, entre trabalhos de conclusão de curso, projetos de iniciação científica, de mestrados e doutorados e disciplinas de campo desenvolvidos nestas áreas, desde 1984”, atesta.

Conjunto de matas

Ainda segundo Estrela, a área que compreende cerca de nove mil  hectares e que pertence as usinas Miriri, Japungu, São João e Monte Alegre, que fica à esquerda da BR 101, indo para Mamanguape, é um conjunto de matas importantíssimo.

“Se tirarmos esses fragmentos, é o mesmo que dissolver toda a Mata Atlântica paraibana. Então uma das coisas que estamos a sugerindo é que essa área fosse convertida em reservas”, destaca ele.

“Essa é uma sondagem que foi feita e debatida entre os representantes da Academia e os gestores ambientais das usinas. É uma indicação, mas a gente não sabe se vai avançar porque existem uma série de procedimentos legais a serem adotados, porém seria uma das maiores reservas privadas de toda a Mata Atlântica”, destaca o pesquisador, reiterando o potencial que isso daria em termos de mudança de perspectiva socioambiental, de consciência e resultados concretos de formação de centenas de pesquisadores que estudam essas matas na Paraíba. “Esses remanescentes florestais, fornecem serviços ecossistêmicos importantes de regulação de clima, regulação hídrica, mas também serviços de biodiversidade, tais como, controle de pragas e polinização”, lembra ele.

(Com conteúdo da Assessoria da Asplan)

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