Usinas da Proterra vão moer 10% mais cana em 2016/17

Compradas no fim do ano passado pela gestora americana Black River, as duas usinas de cana-de-açúcar que pertenciam ao grupo sucroalcooleiro Ruette devem processar um volume quase 10% maior da matéria-prima no ciclo 2016/17, que começa em abril. Agora sob a gestão da Proterra Investments Partners, que tem como uma de suas acionistas a gigante americana Cargill, as usinas foram beneficiadas pelas chuvas do primeiro trimestre deste ano, o que tende a impulsionar a produtividade da cana que será processada na indústria.

O CEO contratado pela Proterra para administrar as usinas, Dario Costa Gaeta, afirma que a moagem conjunta das unidades na próxima temporada deve ficar entre 3,6 milhões e 3,7 milhões de toneladas. Se confirmado, o volume será 8,8% superior às 3,4 milhões de toneladas processadas no ciclo 2015/16, que termina em 31 deste mês.

As unidades, localizadas nos municípios paulistas de Paraíso e Ubarana, pertenciam à Antônio Ruette Agroindustrial (Grupo Ruette) e foram adquiridas no fim do ano passado por um fundo de investimentos em agricultura da Black River. O negócio, conforme fontes do mercado, envolveu um montante de R$ 830 milhões, sendo R$ 530 milhões em assunção de dívidas e os R$ 300 milhões restantes, em aportes na operação.

Até meados de 2015, a Black River pertencia à multinacional Cargill. Mas a gestora se separou da empresa americana, desmembrou seus fundos e diversificou suas fontes de captação. Com isso, a Cargill passou a ser uma das acionistas dos fundos, não mais a única. Logo após a conclusão da compra das duas unidades paulistas, a Black River transferiu esses dois ativos sucroalcooleiros e outros na área de commodities para a Proterra. Entre eles, a participação na AC Proteína, da família Conde, uma das maiores confinadoras de gado bovino do Brasil.

Investimentos estão previstos na operação das duas usinas (agrícola e industrial), diz Gaeta, sem mencionar valores. Apesar de a estratégia de expansão do negócio ainda não ter sido definida pela Proterra, o executivo avalia que as usinas podem ser ampliadas para uma moagem conjunta de 7 milhões de toneladas em quatro anos. “A unidade Ubarana, por exemplo, é muito pequena para padrões normais. Só processa 1,3 milhão de toneladas, quando poderia avançar para até 3 milhões de toneladas”, observa o executivo.

As duas usinas devem iniciar o processamento de cana da nova safra, a 2016/17, no dia 21 deste mês. Uma das unidades produz só etanol (destilaria) e, juntas, têm condições de destinar 80% do caldo da cana para fabricar etanol e 20% para açúcar, segundo o CEO.

A Cargill, que é uma das acionistas da Proterra, trilhou seu próprio caminho no setor de açúcar e etanol no Brasil. Detém participação em três usinas de cana que, juntas, têm capacidade para processar mais de 10 milhões de toneladas da matéria-prima por ano. Duas dessas unidades estão em Goiás, em parceria com o Grupo USJ, e outra no interior de São Paulo, em sociedade com a Canagrill.

Fonte: (Valor)

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