Usina Mandu dfecha a safra 2009/10 com prejuízo

Recém-adquirida pela Açúcar Guarani, empresa controlada pelo grupo francês Tereos, a usina Mandu, de Guaíra (SP), registrou na safra 2009/10, encerrada em 30 de abril, prejuízo de R$ 15,2 milhões. Mesmo com os elevados preços do açúcar, a empresa não conseguiu se reerguer do prejuízo da temporada anterior, a 2008/09, quando teve um resultado negativo de R$ 59,8 milhões.

Localizada em uma das principais regiões de cana de São Paulo, a Mandu foi colocada à venda neste ano e disputada por vários grupos sucroalcooleiros do Centro-Sul, entre eles, a Cosan, a Bunge e a Louis Dreyfus. O grupo que levou a usina foi a Açúcar Guarani, que, capitalizada com recursos da Petrobras Biocombustíveis, pagou R$ 345 milhões pela unidade.

O prejuízo da Mandu, agora sob nova administração, foi consequência de investimentos de longo prazo bancados com recursos com vencimento no curto prazo, conforme o balanço da empresa. Também contribuíram para esse resultado as chuvas excessivas do ano passado, que reduziram a moagem e o potencial de crescimento da receita.

Na safra 2009/10, a Mandu conseguiu moer 2,8 milhões de toneladas, apesar da previsão inicial de processar 3,2 milhões de toneladas. A produção de açúcar atingiu 2,83 mil sacas de 50 quilos e a de etanol, 135 milhões de litros.

O faturamento bruto da empresa foi de R$ 270,2 milhões, 25% mais que em igual período da temporada passada, a 2008/09. A receita líquida foi de R$ 250,2 milhões, 28% mais alta em relação aos R$ 195,7 milhões da safra anterior.

Em 30 de abril deste ano, a Mandu tinha um passivo total de R$ 385,3 milhões, dos quais R$ 306,7 milhões de financiamentos e empréstimos. Segundo o balanço, durante os últimos anos foram feitos investimentos para elevar a capacidade de moagem de 2,6 milhões de toneladas para 4,2 milhões. Até agora, a empresa atingiu 3,5 milhões de toneladas.

A Mandu financiou parte desses investimentos com recursos de curto prazo. Em 30 de abril de 2010, a necessidade de capital de giro líquido de curto prazo da empresa era de R$ 270,7 milhões, segundo informações do balanço.

A Mandu fazia parte do grupo de usinas que pertenciam à trading Crystalsev antes da fusão que resultou na Santelisa Vale, em 2007 – esta foi adquirida pela Louis Dreyfus, em 2009.

Com um mix de 60% para etanol e 40% para açúcar, a Mandu deve produzir na atual safra 200 mil toneladas de açúcar e 175 mil metros cúbicos de etanol, além de cogerar 12 megawatts (MW) de eletricidade com bagaço de cana. Com a Mandu, a Guarani elevou para esta safra a sua estimativa de processamento para 20,6 milhões de toneladas.

Procurada, a Guarani, atual proprietária da Mandu, não quis se pronunciar uma vez que o balanço não se refere à sua gestão, informou a assessoria da empresa. (Fabiana Batista)

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