Usina exporta levedura seca à Europa

Desde o ano passado a usina de álcool e açúcar da Coopernavi (Cooperativa dos Plantadores de Cana-de-açúcar de Naviraí) está exportando a levedura seca, que já está sendo produzida a partir da fermentação, ocorrida entre a moagem e a etapa final do processo de industrialização da cana. O produto surge de forma inédita em Mato Grosso do Sul, para atender ao pedido de seis industriais italianos, que comercializam ração para bovinos e suínos em várias partes da Europa.

O químico industrial José Silvestrin conta que a usina só precisou investir R$ 250 mil fazer adaptações no equipamento de secagem do líquido de fermentação, produzido em excesso na transformação do açúcar em álcool. São dez toneladas ao dia de matéria-prima, que absorverá um pouco mais de energia, produzida com sobra para a venda para empresas como a Força e Luz (SP) e Enersul – MS (em negocioações).

Apenas duas pessoas trabalham na produção de levedura, que é obtida após um processo de estresse do líquido, que fica em repouso por 33 horas, sem a necessidade da adição de reagentes químicos. “A levedura consome a sua própria energia interna acumulada, da qual se alimenta para produzir as proteínas”, explicou Silvestrin.

Após passar pela fase da fermentação, com transformação em energia estressada, a levedura chega a uma tubulação, em forma líquida, sendo levada para a secagem em ambiente com temperatura superior a 200 graus, o processo garante teor de 36% de proteína pura, a ser administrada para bois e porcos.

Em pó

Após a secagem, o produto em pó (cor de rapadura) é ensacado, com o envazamento em sacos de papelão, com capacidade para 20 ou 45 quilos. Cada saco é revestido internamente com polietileno, para garantir que não haja a contaminação por bactérias ou fungos, durante o armazenamento e o transporte. Antes da Coopernavi, só três usinas de São Paulo e do Paraná fabricavam a levedura.

A levedura de cana é normalmente vendida pelos italianos para distribuição a fazendeiros dos Estados Unidos e Europa. Atualmente cada tonelada da cana está sendo cotada a R$ 30 para pagamento ao produtor.

O presidente da Coopernavi, Euclides Fabris, disse que ainda não sabe quais são as possibilidades de lucro. “Estamos vendendo de forma experimental e não temos idéia da reação de mercado”, despista. A levedura de cana é vendida na Europa por U$ 250 (cerca de R$ 625), a saca com 20 quilos. Este é um produto que “está em alta” desde a epidemia da vaca louca, quando os países do Mercado Comum (MCE) fizeram sérias restrições à venda de farinha de osso como ração animal.

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