Usina à venda se valoriza

A alta dos preços do açúcar no mercado internacional e o interesse despertado pelo setor sucroalcooleiro brasileiro nos investidores elevaram de forma expressiva os valores pedidos pelas usinas com potencial de venda. Depois de chegar a US$ 60 por tonelada de capacidade de moagem de cana-de-açúcar no auge da crise econômica, hoje os valores pedidos por estas usinas podem chegar a US$ 110/t, de acordo com o diretor do Itaú BBA, Alexandre Enrico Figliolino.

Segundo ele, os valores destas usinas subiram em virtude, principalmente, da alta do açúcar. “Muitas empresas que estavam com problemas de liquidez decorrentes da crise foram salvas pela forte alta do açúcar. Com a maior receita, elas não precisam mais ser vendidas rapidamente ou nos preços baixos registrados durante o ano passado”, disse. Figliolino afirma que várias usinas deixaram de colocar seus ativos à venda em virtude dos preços do açúcar. “É da natureza do empreendedor continuar na atividade se tiver os meios para isso”, disse.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que o número de usinas à venda caiu, aumentou o número de investidores, principalmente do mercado externo, interessados em participar deste setor, explica o sócio de agribusiness da PriceWaterhouseCoopers, José Ronaldo Rezende. Segundo ele, com a expectativa de que os preços do açúcar permaneçam elevados no médio prazo, novos players estão vindo para o Brasil na busca de bons investimentos. “Então a alta dos preços das usinas é natural porque, além do melhor fluxo de caixa obtido com o açúcar, o número de usinas à venda diminuiu e o de compradores aumentou”, afirma.

Figliolino ressalta que, atualmente, os valores pedidos pelas usinas à venda estão até acima dos preços de empresas de capital aberto, como São Martinho, Cosan e Guarani. O executivo informa que, enquanto as empresas à venda podem atingir US$ 110 por tonelada de cana, o valor de mercado das empresas de capital aberto está em torno de US$ 100 por tonelada.

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