Unica contesta estudo europeu sobre efeitos indiretos do uso da terra

Após consulta pública organizada recentemente pela Comissão Européia do dia 30 de julho até dia 31 de outubro de 2010, para discutir os efeitos indiretos do uso da terra (Indirect Land Use Changes, ou ILUC na sigla em inglês), a União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA) recomendou formalmente à Comissão a revisão do trabalho de modelagem, para assegurar o rigor científico de futuros cálculos do ILUC.

O pedido foi encaminhado em documento de 16 páginas, entregue hoje (03) pelo representante-chefe da UNICA para a União Européia, Emmanuel Desplechin.

Para a entidade, desenvolver a ciência para calcular e compreender o ILUC tornou-se um passo essencial. “As funções e as limitações dos exercícios de modelagem existentes não fornecem uma visão geral e apurada do nível de ILUC que pode ser atribuído especificamente aos biocombustíveis”, afirma Desplechin.

Ele frisa que apesar dos estudos atuais trazerem resultados positivos para algumas culturas, como a cana-de-açúcar utilizada para produzir etanol no Brasil, até o momento os estudos comissionados na Europa foram conduzidos sem a participação adequada de especialistas internacionais, o que tem gerado relatórios incompletos.

Para a UNICA, as discrepâncias dos últimos resultados demonstram que a ciência ainda não sabe como medir com precisão a magnitude do fenômeno de ILUC eventualmente gerado pela expansão dos biocombustíveis. “Qualquer política pública baseada em resultados tão contestáveis poderia ser facilmente questionada na Organização Mundial do Comércio (OMC),” disse Desplechin.

Para ele, precisão cientifica é fundamental mas não é o suficiente. Se o objetivo é abordar e limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa, a UE deve reconhecer os esforços de alguns países, tais como o Brasil, para estabelecer práticas de gestão sustentáveis e incentivar o uso adequado da terra, considerando que há terra disponível e em condições apropriadas para a produção de biocombustíveis, sem provocar o deslocamento de outras culturas.

Desplechin cita ainda o Zoneamento Agroecológico introduzido pelo governo brasileiro, que mapeia a cana de açúcar, estabelece limites para sua expansão e tem como objetivo não só gerenciar a expansão, mas também garantir a proteção de áreas ricas em biodiversidade. Esforços como esse, de planejamento do uso da terra, devem ser estimulados segundo Desplechin, pois possibilitam à indústria identificar terras apropriadas para o cultivo de biomassa para biocombustíveis e minimizam os riscos dos efeitos adversos indiretos, não limitados unicamente às emissões.

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