Um mapa para a cana

Acompanhado pelos secretários estaduais de Agricultura, João Sampaio; e de Meio Ambiente, Xico Graziano, ex-aluno da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq); o governador José Serra (PSDB) anuncia hoje (18), ao meio-dia, no Salão dos Despachos do Palácio dos Bandeirantes, o Mapa com o Zoneamento Agroambiental para o Setor Sucroalcooleiro do Estado de São Paulo. Com 20 milhões de hectares (cada hectare corresponde a 10 mil metros quadrados de extensão) de áreas cultiváveis, sendo cinco milhões destinados exclusivamente à cana-de-açúcar, o território paulista apresenta 181 usinas instaladas. A quantidade é recorde no País. O Mapa é considerado tão importante por especialistas que, a partir dele, serão confirmadas diretrizes para o ordenamento do setor, até então, em notável crescimento, mas ausente de regras. Na prática, será o Plano Diretor da Cana, o mais completo documento já divulgado no âmbito governamental.

Para se ter uma idéia, de um ano e seis meses para cá, houve um avanço de pelo menos 10% no número de pedidos de licenciamento de novas usinas de cana. O volume é analisado como expressivo em demasia. Propenso a retomar as rédeas quanto à sustentabilidade do setor sucroalcooleiro, o governo do Estado decidiu ´decretar a moratória´ dos pedidos. Nos últimos quatro meses, nenhum novo projeto foi submetido à análise de técnicos e engenheiros. À Gazeta, ontem (17), o gerente do Projeto Etanol Verde, mantido pela Secretaria de Meio Ambiente, Ricardo Viegas, disse que 21 unidades aguardam a conclusão do projeto para o funcionamento. O Etanol Verde é uma das 21 iniciativas ambientais estratégicas com selo do governo.

Com o Zoneamento, a Secretaria poderá exigir melhorias e até formas de instalação dos núcleos canavieiros de produção. “Hoje em dia, temos áreas de restrição ambiental e até de preservação permanente ocupadas pela cultura, e até usinas em regiões muito adensadas. Vamos reorganizar esse crescimento. Do jeito que está, não é possível continuar”, dispara Viegas. A estimativa é que 600 mil hectares de mata ciliar sejam recuperados. Outro benefício ambiental que deve acontecer, com o Mapa, é o uso da biomassa para a geração de energia. Estima-se que até 2020, dois mil megawatts de energia elétrica sejam gerados a partir da cana-de-açúcar”

Queimada Menor – No comparativo com as safras 2006, 2007 e 2008, houve uma redução de 110 mil hectares na área de queima da palha de cana no Estado. Essa gleba corresponde a 155 mil campos de futebol. Por outro lado, a área de colheita mecanizada expandiu 657 mil hectares. Com base em mapas elaborados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o secretário Xico Graziano expôs as áreas totais de queima e, ao mesmo tempo, do avanço da mecanização dos campos.

Na última safra, cerca de 50% da colheita foi feita mecanicamente, num comparativo com a etapa anterior, que registrou 35% das áreas mecanizáveis. “Se continuarmos nesse ritmo, a presença total de máquinas em áreas com inclinação menor que 12% se dará em 2012, antes do prazo final estipulado inicialmente, que é 2014”, disse Graziano.

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