Um golpe na energia da biomassa!

Com algumas exceções, o setor sucroenergético brasileiro termina o ano afetado por entraves políticos e com uma das menores margens de lucro dos últimos anos. (veja matéria e quadros demonstrativos nas páginas 14 a 16). Este é um dos piores momentos pelo qual passa toda a cadeia produtiva sucroenergética, do menor ao maior integrante, do grande produtor de açúcar e etanol ao fornecedor do menor insumo.

As demandas do setor continuam em pauta, especialmente em ações governamentais. Há uma unanimidade dos produtores em relação à volta da Cide. O setor ainda tem esperanças em seu retorno, porque a contribuição, se realmente direcionada ao seu objetivo inicial, ajudaria a resolver os graves problemas de mobilidade e poluição urbanas e permitiria capitalização do setor, tão necessária para a retomada de investimentos na produção e produtividade.

A luta pela volta da Cide é antiga e inglória. Mas há um pleito, de curto prazo, que o setor precisa defender, que é a não aceitação da redução do teto do PLD — Preço de Liquidação das Diferenças, de R$ 822,83/MWh para R$ 388,04/MWh. A redução drástica está sendo imposta pela Aneel — Agência Nacional de Energia Elétrica, sob a alegação de que existe uma grande diferença entre os valores mínimo e máximo do PLD e que essa volatilidade traz riscos financeiros. Esse foi o mesmo argumento do governo quando acabou com a Cide. E é inaceitável.

O que está acontecendo, de fato, é um golpe do governo nos produtores alternativos de energia elétrica, por estar com medo de ter que repetir o pagamento pelo teto na próxima entressafra, feito em fevereiro e março deste ano. Como estes meses se aproximam no calendário, correu para reduzir o valor do teto para bem abaixo da metade. Esta ação, impositiva mais uma vez, vai desestimular a geração de energia da biomassa e novos investimentos, alerta, preocupado, o especialista em bioeletricidade Zilmar de Souza, na página 12. Com isto, os produtores podem perder a renda extra da entressafra e justamente em momento de intensa crise financeira.

Zilmar levantou a questão e deixou todo o setor em estado de choque. Agora, consciente, exige que a Aneel reveja este posicionamento e mantenha o teto nos padrões iniciais.

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