Suecos vão produzir cana na África

A principal fabricante de biocombustíveis da Suécia, Sekab, pretende investir US$ 300 milhões na construção de uma usina para produzir etanol a partir de cana-de-açúcar na Tanzânia. A empresa é também a maior importadora de etanol brasileiro da Suécia, país que mais compra e utiliza etanol do Brasil na Europa.

Para Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), trata-se de uma iniciativa que pode indicar um caminho para outros investidores e para outras economias em desenvolvimento. “Os investimentos da Sekab na África estão alinhados com a visão da UNICA sobre a contribuição que a produção e o uso do etanol podem proporcionar para economias emergentes, principalmente aquelas situadas nos regiões tropicais”.

Leão destaca que na África, e em outras partes do mundo onde já se produz cana-de-açúcar, a produção e uso de etanol podem gerar um importante estímulo ao desenvolvimento rural, aumento da segurança energética —inclusive para geração de eletricidade—, além de melhorar a balança comercial e contribuir para a redução do aquecimento global.

A empresa espera a autorização das autoridades tanzanianas para plantar cana em uma área de 20 mil hectares perto de Bagamoyo (a cerca de 80 km de Dar es Salaam, capital comercial do país), informou Anders Bergfors, diretor da Sekab à agência “Bloomberg”. A usina, que deve estar em operação entre 2010 e 2012, terá capacidade de produzir 100 milhões de litros de etanol por ano.

Em agosto, a Sekab fechou acordo com quatro produtores brasileiros para estabelecer critérios de responsabilidade socioambiental para o biocombustível que importa do Brasil. O etanol comprado pela Sekab da Alcoeste, Cosan, Guarani e NovAmerica tem, desde então, padrões de sustentabilidade verificados por uma agência independente. A auditoria verifica seis pontos: redução da emissão de CO2, nível mínimo de colheita mecanizada, compromisso com a conservação das áreas de mata nativa, tolerância zero em relação ao trabalho infantil e não regulamentado e respeito aos pisos salariais do setor, além da exigir que as empresas participantes sejam signatárias do Protocolo Agroambiental, firmado em 2007 entre a indústria da cana-de-açúcar e o governo do Estado de São Paulo. O protocolo estabeleceu 2014 como data limite para que a queima dos canaviais seja eliminada e a colheita passe a ser mecanizada nas áreas planas.

A demanda por etanol está crescendo no mundo à medida que vários países procuram maneiras tanto para diminuir a dependência do petróleo, como para reduzir a emissão dos gases causadores do efeito estufa gerados pelos combustíveis fósseis

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