Sinal promissor para exportação de etanol

Foto: Alessandro Reis/JornalCana
Foto: Alessandro Reis/JornalCana

O comércio internacional de etanol pode estar patinando, mas a nova proposta para o mandato de biocombustíveis nos Estados Unidos para 2017 sinaliza que poderá haver algum impulso às exportações brasileiras, em um momento em que as usinas sucroalcooleiras do país ainda não veem incentivos para expandir a capacidade de produção.

Pela proposta apresentada na quarta-feira pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), o volume mínimo de “biocombustíveis avançados” (excluindo os celulósicos e o biodiesel) que deverá ser usado nos EUA em 2017 é de 6,41 bilhões de litros. Enquadrado nessa categoria por emitir em sua cadeia menos da metade de gás carbônico que a gasolina, o etanol de cana brasileiro costuma ter forte participação nesse mercado, mas também compete com outros combustíveis.

O mandato de mistura de “biocombustíveis avançados” para o próximo ano é 14% maior que o de 2016, quando o volume proposto pela EPA foi de 5,62 bilhões de litros.

O volume proposto é uma referência para o potencial de importação de etanol brasileiro pelos EUA. Segundo Vitor Andrioli, analista da consultoria FCStone, a quantidade importada pode ser maior ou menor, pois o que definirá essa demanda é a competitividade do produto brasileiro em relação a outros combustíveis renováveis. “O mandato abre espaço, mas depende da relação de preços entre o etanol do Brasil e dos outros biocombustíveis avançados, como o biodiesel e biocombustível celulósico nos EUA”, disse.

Neste ano, o etanol brasileiro tem enfrentado dificuldade para competir com outros biocombustíveis nos EUA diante da oferta elevada naquele mercado. Os preços do etanol americano, feito a partir do milho, estão em patamares historicamente baixos, embora tenham se recuperado desde o início do ano. O produto está enquadrado na categoria “combustíveis renováveis convencionais”, cujo mandato para 2017 foi proposto em 56,24 bilhões de litros.

No mercado físico de Nova York, importante polo consumidor de combustíveis dos EUA, o biocombustível foi negociado em janeiro a US$ 1,44 o galão (3,8 litros) para os distribuidores, e agora está em US$ 1,678 o galão, segundo a FCStone. No Golfo do México, o etanol americano foi negociado em janeiro por US$ 1,41 o galão, e agora está em US$ 1,68 o galão.

Esses valores estão bem abaixo dos preços pelos quais o etanol brasileiro é negociado no país. Em janeiro, o biocombustível do Brasil era comercializado no Golfo do México – principal ponto de entrada no mercado americano – por US$ 2,36 o galão, e atualmente oscila entre US$ 1,90 e US$ 1,95 o galão.

Apesar de ainda estar menos competitivo que o etanol de milho, a diferença já caiu significativamente em decorrência da recuperação do real sobre o dólar e da entrada da safra brasileira 2016/17.

Para Andrioli, a tendência é de que o etanol brasileiro continue se desvalorizando nos próximos meses, ao menos em reais, enquanto o biocombustível americano tende a ganhar sustentação enquanto a safra de milho dos EUA estiver indefinida. “Se o câmbio ajudar, entre julho e agosto, a tendência é que a janela de importação [de etanol brasileiro pelos americanos] se abra”.

Entre janeiro e abril, foram misturados 32 milhões de litros de etanol avançado, principalmente de origem brasileira, à gasolina nos EUA, o que representou 59,8% de todos os biocombustíveis avançados usados no período. Essa participação deve crescer ao longo do ano à medida em que o etanol brasileiro ganhar competitividade no mercado americano.

Fonte: (Valor)

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