Setor de álcool e açúcar com o pé no freio em MG

O presidente do Sindicato da Indústria da Fabricação de Álcool e Açúcar no Estado de Minas Gerais, Luis Custódio Cotta Martins, estima que dos 31 projetos do setor sucroalcooleiro, protocolados junto ao governo estadual, 17 estão parados, como reflexo da falta de crédito na praça, conseqüência da crise financeira mundial.

“Como as usinas que dependem de fundos de investimentos vão tocar os projetos se o dinheiro secou?”, questiona. A expectativa do setor em Minas é chegar em 2014 com 58 usinas em operação, com a moagem de 100 milhões de toneladas de cana e a produção de 5,5 bilhões de litros de etanol e 4,9 milhões de toneladas de açúcar. Até o momento, 36 usinas operam no Estado.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) informa que, desde 2005, 44 usinas de açúcar e álcool estão em processo de implantação ou expansão em Minas, com investimentos da ordem de R$ 10 bilhões.

Antes da crise, o governo estadual previa que 31 projetos seriam concluídos entre 2009 e 2014, a maioria dentro do conceito greenfields (fábrica construída do zero). Para o ano que vem, a estimativa inicial era de implantação de pelo menos mais cinco projetos.

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, ressalta que o setor foi um dos que mais investiu no país, de 2005 a 2008, cerca de US$ 20 bilhões. “Depois de quatro anos de grandes investimentos, as pessoas estão em compasso de espera”, afirmou. Ele lembra que a crise afeta o setor de “maneira diferenciada”.

Segundo Cotta Martins, as indústrias que já fizeram o plantio e compraram os equipamentos devem manter os investimentos no Estado. “Até 2012, 14 usinas devem entrar em operação”, estima. Minas ultrapassou o Paraná neste ano e hoje é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar, respondendo por 10% da produção nacional, atrás apenas de São Paulo.

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