Seminário da Asplan reúne 300 participantes em João Pessoa

Pelo menos 300 pessoas participaram ontem (20), da abertura do 2º Seminário de Políticas Públicas para o Setor Canavieiro do Nordeste e Agroenergia, promovido pela Asplan (Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba), em João Pessoa. O evento que reúne produtores, pesquisadores, associações e autoridades de todo o Brasil, termina nesta terça-feira.

Após a formação da mesa de autoridades e a exibição de um vídeo institucional contando os 50 anos de atuação da Asplan, o evento foi aberto oficialmente pelo presidente da associação, Raimundo Nonato Siqueira. “Este encontro é de grande importância para o setor canavieiro, que busca alternativas para superar a atual crise e debater as perspectivas para a cultura, o álcool e o biocombustível”, disse.

Na primeira palestra do dia, o secretário do Mapa (Ministério da Agricultura e Abastecimento), Manoel Vicente Fernandes Bertone, falou sobre políticas públicas para o setor sucroalcooleiro do Nordeste, destacando o empenho do Governo em divulgar o Brasil como potência energética.

“Somos vistos mundialmente como fator de segurança energética, pois temos potencialidade para produzir energia ao mesmo tempo em que produzimos alimentos”, observou. Bertone alertou aos produtores sobre a necessidade de planejamento, para garantir sustentabilidade ambiental, social e energética.

O primeiro dia do seminário também contou com a participação do presidente da Feplana (Federação dos Plantadores de Cana), Antônio Celso, do superintendente da Conab, Ângelo Viana, do presidente da Federação o secretário da Agricultura do Estado, Carlos Dunga, entre outras autoridades.

Crise

Antônio Celso disse que o setor de cana-de-açúcar, especialmente o nordestino, está passando pela pior crise de sua história. “Se nada for feito, urgentemente, os produtores canavieiros irão acabar neste País”.

O dirigente afirma que a principal causa da crise diz respeito à remuneração recebida pela matéria-prima, que é a pior dos últimos anos. “Atrelado a isso, os preços dos fertilizantes também subiram bastante comprometendo, ainda mais, a rentabilidade dos produtores”, observou.

“Atualmente, a tonelada da cana-de-açúcar está sendo comercializada entre R$ 36,00 e R$ 38,00 valores bem abaixo dos R$ 50,00 e R$ 52,00 já pagos ao produtor pela mesma quantidade do produto há uns cinco anos atrás”, argumenta Antônio Celso.

Para driblar a crise, Antônio Celso sugere a intervenção do Governo na regulamentação do setor, estabelecendo preços mínimos e a inclusão da lavoura canavieira no Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), a exemplo do que ocorre com outras culturas no país.

No dia 24 de outubro, representantes de associações de plantadores, capitaneados pela Feplana, farão uma reunião em Araraquara, SP, para debater a atual crise do segmento. No encontro será formatado um documento pedindo ao presidente Lula providências urgentes.

Seminário

A programação do hoje (21) inclui uma palestra sobre a viabilização dos produtores independentes, no contexto de cooperativa, ministrada pelo presidente da Cooperativa de Colonização Agropecuária e Industrial de Coruripe/AL, Klécio dos Santos.

As diretrizes da Embrapa para a pesquisa canavieira serão debatidas pelo representante do órgão, Geraldo Eugênio. Em seguida, o consultor jurídico Gregório Maranhão falará sobre as oportunidades oferecidas pelo setor bioenergético brasileiro a investidores internacionais.

À tarde, os trabalhos serão retomados com a palestra do representante da CNA, Jose Ricardo, que apontará os impactos dos biocombustíveis na produção de alimentos. A senadora Kátia Abreu vai falar sobre a perspectiva do mercado de insumos e seu impacto na produção agrícola.

Ao final dos debates será realizada uma solenidade em comemoração aos 50 anos da Asplan, com a inauguração da galeria dos ex-dirigentes da entidade. Um coquetel marcará a finalização das atividades.

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