Segundo canavieiros, existem engenhos que retém o açúcar

Uma modalidade própria dos tempos de crise voltou a manifestar no setor açucareiro. Se trata da retenção indevida de açúcar por parte dos engenhos que, em alguns casos, colocaram essa produção como garantia para a tomada de créditos mediante warrants, e agora não tem recursos para recuperar esses ativos. O Centro de Agricultores Canavieiros de Tucumán (Cactu) denunciou pra LA GACETA. “Custa a entrar na fila para retirar o açúcar. Recebemos reclamações de canavieiros que não podem retirar o açúcar de sua propriedade porque os engenhos demoram pra entregar”, disse o titular de Cactu, Humberto Gordillo.

Segundo o dirigente, os argumentos dados pelos industriais são variados, e incluem, por exemplo, a necessidade de entregar o açúcar em parcelas aos agricultores, para evitar que o mercado interno seja inundado com o produto, que acabaria impactando no preço. Obviamente que os canavieiros qualificam de mentiras essas desculpas.

“O açúcar dos canavieiros não pode ser usado pelos engenhos para fazer warrant, de maneira que essa ação constitui uma medida ilegal. O assunto é que tomaram créditos com a expectativa de que o preço do açúcar ia subir, mas não aconteceu. Então, agora não tem nem pra pagar os juros”, informou Gordillo. “Os mais prejudicados com esta situação são os pequenos canavieiros”, disse.

O representante da Cactu, José del Pero, complementou que a colocação do açúcar dos canavieiros em garantia para a tomada de créditos é uma demonstração de que a atividade açucareira vem em grande declive há vários meses. “Fizeram warrant e agora sai mais caro a coleira do que o cachorro”, informou.

O presidente do Centro Açucareiro Regional de Tucumán (CART), Julio Colombres, reconheceu que alguns engenhos estão com problemas de caixa. “A crise é grande e é possível que algumas empresas não tenham capacidade para liberar os warrants, embora desconheço que tenham tomado créditos com o açúcar dos canavieiros”, disse.

Recordou, no entanto, que uma prática similar aconteceu na temporada 1994-95. Devido a esta situação “se formou um grande problema”, relembrou o presidente do CART.

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