São Paulo terá ônibus público movido a etanol em 2011

Um protocolo de intenções firmado nesta quinta-feira entre a Prefeitura de São Paulo, Secretarias Municipais de Transportes e do Verde e Meio Ambiente, Scania, Cosan, Viação Metropolitana e União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) dará início à substituição da frota de ônibus a diesel do sistema público de transporte paulistano por veículos alimentados por biocombustíveis.

Até 2018, todos os ônibus públicos da cidade deverão ser movidos por energias renováveis. De acordo com a Prefeitura, o objetivo é reduzir em 10% ao ano a utilização de diesel no transporte público.

Os novos ônibus serão fabricados pela Scania, e o combustível será fornecido pela Cosan. Segundo Marcos Jank, presidente da Unica, esta frota inicial de 50 veículos será abastecida apenas pela Cosan.

“Num segundo momento, quando a frota for ampliada, creio que poderá haver concorrência. Esse mercado será competitivo como outros mercados”, afirmou Jank após a cerimônia de assinatura do protocolo de intenções.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, participou do evento e explicou que a mudança na frota não terá impacto nos cofres públicos. “Esse dinheiro não sairá do orçamento. Os recursos virão das multas que serão aplicadas àqueles que não fizerem a inspeção veicular”, disse.

Segundo Kassab, devem entrar em operação nos próximos dias radares capazes de ler as placas dos veículos e aplicar multas em caso de irregularidades.

O setor sucroalcooleiro também contribuirá com o projeto cobrando um preço fixo para o etanol, eliminado, assim, as oscilações no preço do produto. “O custo do etanol será inferior ao do diesel”, comentou Jank.

Saúde pública

Com a adoção do etanol e outras fontes de energia renováveis no transporte público, como a elétrica, a Prefeitura espera promover melhorias também na saúde.

Um estudo desenvolvido pelo doutor Paulo Saudiva, chefe do Laboratório de Poluição da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), citado por Jank em seu discurso nesta manhã, mostra que, se toda a frota a diesel de São Paulo fosse substituída por etanol, mais de 4 mil internações hospitalares seriam evitadas e 745 vidas seriam salvas a cada ano.

A redução de gastos com internações para o Sistema Único de Saúde (SUS) e o setor privado seria da ordem de US$ 150 milhões ao ano.

“Estamos corrigindo uma falha e avançando nas políticas de meio ambiente”, disse Kassab referindo-se ao fato de que grande parte dos veículos leves de São Paulo já utiliza o etanol há anos e, somente agora, o sistema público de transporte segue o mesmo caminho.

De acordo com a Prefeitura, os novos ônibus deverão produzir cerca de 80% menos gases de efeito estufa que aqueles movidos a diesel.

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