Santelisa e Dreyfus mais perto de acordo

A multinacional francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC) e a Santelisa Vale, segunda maior produtora de açúcar e álcool do Brasil, anunciaram ontem ter chegado a um acordo sobre os termos da associação entre elas. Também foi concluído um entendimento sobre a reestruturação de dívida com os principais credores da Santelisa. Em nota, as empresas afirmam, porém, que o acordo final ainda não foi assinado.

Entre as pendências, segundo as empresas, está a busca de um acordo com os demais credores da Santelisa, assim como com os acionistas minoritários. Anunciado em 6 de abril, o acordo de compra dos ativos da Santelisa Vale pela LDC previa três meses para que o grupo francês tomasse a decisão final. Os três meses expiram esta semana.

A reestruturação da dívida da Santelisa com os grandes credores envolve uma carência de até três anos pa! ra o início de pagamento, com prazo de 12 anos para a quitação, além de transformação de parte dos débitos em participação acionária. Segundo fontes próximas à negociação, o acordo também prevê a realização de abertura de capital (IPO) da empresa a ser formada com a fusão da LDC e Santelisa, como parte da reestruturação da dívida.

Com essas operações, a LDC e a Santelisa teriam conseguido reestruturar 60% da dívida – orçada em mais de R$ 3 bilhões pelo mercado – que estava nas mãos de quatro grandes bancos. O próximo passo será a negociação com credores e bancos menores, que detêm o restante da dívida.

Fontes próximas à negociação acreditam que, embora a fusão entre os dois grupos seja dificultada pelos perfis diferentes, o acordo deve mesmo ser fechado. Segundo as fontes, seria muito custoso voltar atrás nesse momento. Além disso, a empresa a ser formada pela fusão será uma das gigantes do setor, com potencial para processar 40 milhões de toneladas de cana por ano.

Com capacidade de moer cerca de 25 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, mas com um processamento entre 18 milhões e 20 milhões de toneladas por ano, a Santelisa Vale é dona das unidades Santa Elisa, Vale do Rosário, MB e Jardest, na região de Ribeirão Preto (SP), e de 65% da Continental, em Colômbia (SP).

Além das usinas paulistas, a Santelisa Vale divide 50% da Tropical Bioenergia com o grupo Maeda, usina construída em Edeia (GO) cujos outros 50% foram vendidos no ano passado para a petroleira britânica BP. É ainda acionista minoritária da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), companhia sucroalcooleira comandada por fundos internacionais, e da trading Crystalsev, uma das maiores do País.

A LDC Bioenergia tem oito usinas no Brasil, processa 20 milhões de toneladas de cana, produz 1,6 milhão de toneladas de açúcar e 670 milhões de litros de álcool. Em São Paulo, a LDC Bioenergia é dona d! as usinas São Carlos, em Jaboticabal, e Cresciumal, em Leme.

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