Safra e commodity reduzem cotação do açúcar

A colheita de cana no Centro-Sul do país, que responde por 85% da oferta nacional, e o recuo dos preços internacionais da commodity, estão provocando desvalorização das cotações do açúcar no mercado brasileiro.

Cotada a R$ 30,09 na sexta-feira em São Paulo, a saca de 50 quilos caiu 11,16% na semana passada. No ano, a desvalorização já atinge 25,3%, e a expectativa é de que os preços ainda tenham mais espaço para queda no curto prazo.

“Algumas usinas estão negociando o produção a preços baixos para garantir capital de giro”, afirma Heloísa Lee Burnquist, pesquisadora do Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada (Cepea). As negociações ocorrem em poucos volumes, com as indústrias comprando da “mão para boca”, na expectativa de que os preços caiam ainda mais no mercado interno.

Levantamento do Cepea, entre os dias 8 e 14 de maio, mostra que a remuneração para o açúcar negociado no país é 41% maior sobre o vendido no exterior. Apesar da vantagem, a comercialização segue em ritmo lento, o que não garante liquidez ao setor. As atuais cotações do álcool anidro também são mais remuneradoras que o açúcar para exportação. Mas, para os analistas de mercado, isso não quer dizer que toda a produção da safra vai virar álcool. As cotações do álcool na entressafra estavam bem acima dos níveis históricos para o produto.

A estabilização dos preços do açúcar não é esperada no curto prazo. Para os analistas de mercado, o setor deveria se organizar de uma forma em que as atuais negociações não pressionem mais os preços, sugerindo que as usinas negociem o produto entre si, sem jogá-lo no mercado. As atuais cotações da saca, de R$ 30,09, ainda estão acima dos níveis históricos, de R$ 28, e 45% superior aos preços praticados no mesmo período do ano passado.

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