Safra da cana pernambucana deve aumentar em 20%

A atual safra da cana-de-açúcar de Pernambuco deve aumentar em torno de 20%. A expectativa é de que sejam processadas 13 milhões de toneladas da planta até março do próximo ano, contra as 11,6 milhões de toneladas colhidas na última moagem (2015/2016), a qual foi impactada pela estiagem que atingiu algumas áreas na Zona da Mata. “É uma ligeira recuperação. Inicialmente, a nossa previsão era que esta moagem (2016/2017) alcançasse 14 milhões de toneladas. No entanto, os meses de junho, julho e agosto registraram chuvas abaixo da média em vários locais, frustrando o crescimento de algumas plantas”, explica o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha.

Pelo levantamento do Sindaçúcar, ocorreu um déficit de 600 milímetros de chuva em algumas localidades nos meses de junho e julho. Na região produtora, a Mata Norte é a mais seca. Lá foi registrada uma precipitação pluviométrica média de 23 milímetros em julho último, enquanto no mesmo mês do ano passado houve o registro de 227 milímetros. A alternância de chuvas com sol é fundamental para a cana-de-açúcar crescer e apresentar um maior grau de sacarose (açúcar).

A moagem já começou em pelo menos quatro usinas da Mata Norte. Nas demais, a colheita é iniciada até setembro. A atual safra terá 15 empresas moendo, sendo o mesmo número da última moagem. A cana-de-açúcar é cultivada em 58 municípios da Zona da Mata. A atividade gera cerca de 70 mil postos diretos de trabalho durante a safra que, geralmente, começa em agosto e vai até março.

CENÁRIO

O preço do açúcar melhorou no mercado internacional porque o fenômeno climático El Niño provocou a redução da safra na Tailândia e Índia, ambos grandes produtores. A expectativa do setor é de que 56% da cana-de-açúcar seja destinada à fabricação do etanol e o restante transformado em açúcar.

O etanol continua com o seu preço atrelado ao da gasolina, o que é ruim para o setor, segundo Renato. O mercado de combustíveis está nervoso também por causa da situação da Petrobras, que já começou a vender alguns dos seus ativos. Uma das principais distribuidoras do País é a BR Distribuidora, que pertence à Petrobras. “Não há uma política clara de definição de preços do etanol. E é importante ter uma previsibilidade de preços”, explica Renato.

Nos últimos três anos, o álcool produzido no País enfrentou até a concorrência com o importado. “Somos contra a importação, que não serviu para baixar o preço para o consumidor final. Pela lei, não podemos vender aos postos de gasolina, temos que comercializar o álcool às distribuidoras, que podem importar. A importação nem gera emprego nem recolhe a mesma quantidade de tributos gerados na produção do combustível”, argumenta.

Fonte: (JC Online)

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