Safra 16/17 e tendências do setor, segundo Rui Chammas, presidente da Biosev

20160609_112104-01.jpegRui Chammas, presidente da companhia sucroenergética Biosev, controlada pela Louis Dreyfus Company Holdings, esteve à frente de encontro de fornecedores de cana-de-açúcar da empresa na quinta-feira (09/06) em Ribeirão Preto (SP).

Em entrevista coletiva antes do início do evento, o executivo comentou sobre como a Biosev trabalha a safra 16/17, divulgou a estratégia de gestão e anunciou novidades, como a implantação de centro tecnológico e de inovação de cana em Sertãozinho.

Confira a seguir a entrevista, que também contou com a participação de equipe do Portal JornalCana.

Investimentos:

“A gente trabalha em um modelo de muita disciplina operacional e financeira para tirar o máximo de proveito dos nossos ativos. Não há hoje nenhum programa previsto para crescimento [da capacidade de moagem das 11 unidades em operação].

Ciclo do açúcar: 

“Saímos de um momento de baixa do açúcar, na safra [mundial] que vai outubro de 2015 a até setembro próximo, com déficit mundial. E os preços começaram a recuperar de maneira muito forte.

Então começamos a ser bastante disciplinados do ponto de vista operacional e financeiro, e aproveitar esse momento de melhores margens para seguir desalavancando a companhia com muita disciplina.”

Renovação de canavial:

“Definimos o seguinte: faremos todos os investimentos necessários para a manutenção e renovação do canavial, manutenção e melhoria industrial, pagamento de juros com o objetivo de gerar caixas excedentes para desalavancar a companhia. Quando falo em fazer investimentos necessários no canavial, faremos a taxa de renovação quando for o momento adequado. Conforme a melhora da maneira de trabalhar, há canavial cada vez mais longevo. E, com isso, há uma taxa de renovação diferente dos tradicionais, com renovação a cada cinco anos de cortes. Mas seguimos a linha de fazer certo e bem feito aquilo que é certo. Vimos evoluindo em TCH, em ATR, no nosso plano de cinco anos de evolução, mas mais do que cinco anos é um plano constante de evolução, buscando tirar o máximo de cada região na qual a Biosev atua.”

Perfil das regiões com unidades em operação:

“Temos duas regiões com solos muito bons: a de Ribeirão Preto e no Mato Grosso do Sul. Leme, no interior paulista, também tem solo bom e produtivo. Em Minas Gerais, o clima é um pouco mais seco, como solo mais pobre. No Nordeste, a realidade é diferente. Mas é bom porque isso nos dá uma dispersão geográfica que nos permite ter um hedge natural. Em 2015 tivemos uma seca muito forte no Nordeste. Sofremos menos que nossos concorrentes no Nordeste porque estávamos trabalhando muito bem em irrigação e isso [seca], dentro da Biosev, não gerou um impacto tão relevante.”

Centro de tecnologia e inovação:

“Estamos criando em Sertãozinho [onde fica a unidade Santa Elisa] um centro de tecnologia e inovação. Trazemos os fornecedores [de cana] para nos ajudar e fazer experimentos em áreas muito boas, com solos muito bons, de forma que a gente possa pilotar ali e depois extrapolar para outros lugares. É uma visão de cadeia: é para que eles possam nos ajudar a evoluir. Temos parceria com CTC, Ridesa, IAC e recentemente, no Nordeste, sentimos uma falta de variedades mais desenvolvidas. Fizemos parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco e montamos uma área de experimento.”

Moagem na 16/17: 

A Biosev estima moer entre 30,5 milhões de toneladas e 33 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/17, oficialmente iniciada no começo de abril nas 11 unidades em operação da companhia sucroenergética. A capacidade de moagem das unidades da Biosev é de 36,4 milhões de toneladas de cana por safra.

Peso dos fornecedores de cana:

Fornecedores representam um terço da cana-de-açúcar processadas pelas 11 unidades em operação da Biosev. Significa que eles somam 9,3 milhões de toneladas das 31 milhões de toneladas de matéria-prima moídas na safra 2015/16 pela companhia sucroenergética.

O que chama a atenção na safra 16/17:

“Chama a atenção é que teremos uma safra de clima normal. Temos toda a condição de ter uma boa safra do ponto de vista de clima, e vejo uma recuperação do preço do açúcar, alinhado com a nossa expectativa, em função do déficit que temos na atual e na próxima safra, que é muito animador e confirma a visão que estamos saindo, ou saímos, do ciclo de baixa rumo ao ciclo de alta na commodity açúcar.”

Dependência de ações junto ao governo federal:

“Esse é um setor que investiu, entre 2000 e 2010, na esperança de que o etanol iria ser uma commodity global, que a gente iria exportar para o mundo todo, e que iria substituir a gasolina de maneira muito importante no Brasil. Na esperança investiu-se muito. Entre o fim de 2013, quando cheguei à Biosev, e o começo de 2014, fiz questão de tirar dos planos essa esperança. Temos de ser pragmáticos: esse é um setor que tem três produtos, que são etanol, açúcar e eletricidade. O açúcar é commodity cíclica, que sofreu com ciclo muito longo de baixa porque o setor investiu muito em dado momento e saímos desse ciclo com sofrimento, com muitas usinas fechadas. Os dois outros produtos têm uma dependência muito grande das políticas de longo prazo do governo.”

O que falta de ações do governo: 

“Acredito ser necessário ter uma política de longo prazo para combustíveis. Hoje eu não consigo perceber [essa política de longo prazo]. Estamos juntos com a Unica e com Fórum do Setor Sucroenergético nas demandas com o governo. São demandas muito razoáveis, mais para o Estado do que para o governo. E eu tenho a esperança de que haja avanço nesse novo momento político brasileiro. Evito ficar especulando se vai ou não acontecer e tentar tomar decisões em cima de especulações. Temos de ser muito disciplinados e seguir o trabalho de geração de valores. Mas sem política de longo prazo de combustíveis, o País em algum momento pode ter problema.”

Futuro da unidade Jardest, que está com safra interrompida:

“É uma unidade hibernada da Biosev, e analisamos com frequência se faz sentido voltar ou não sua operação. Ela tem características de tamanho e produtos, associados a região onde está, de Ribeirão Preto, com demanda muito grande por cana, que hoje não faz sentido [que a Jardest] volte a operar.

 

 

 

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