Ruralistas querem crédito do BNDES para canavieiros

Para desconforto do BNDES, o pleito por mais recursos não se limita só aos usineiros. Com respaldo da bancada ruralista do Congresso Nacional, plantadores de cana-de-açúcar também querem dinheiro para financiar a próxima safra. A medida contraria a prática do banco, que não prevê crédito para o setor agrícola, tradicionalmente financiado pelo Banco do Brasil. Em pelo menos uma ocasião, executivos do banco oficial foram procurados por deputados ligados aos produtores rurais: na semana passada, em Brasília. Executivos do setor revelaram que a demanda partiu de produtores da região Nordeste, e não do Centro-Sul do país.

Moratória branca

A disposição do banco oficial, ainda que a muito custo, é ajudar somente os usineiros. Embora a boa vontade se deva ao caráter prioritário do setor para o governo, o BNDES também está preocupado com o impacto que uma onda de falências no setor teria para o próprio banco. Embora a instituição não revele o valor total do estoque de crédito já financiado para as usinas, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) confirma que, das 283 usinas localizadas em sete dos principais estados produtores do país, 63 encontram-se inadimplentes com o Fisco ou em fase de renegociação de dívidas.

Como mesmo admitiram recentemente representantes dos usineiros, as usinas decretaram uma espécie de moratória branca no pagamento de impostos, para financiar a operação deficitária em tempos de baixos preços do etanol. O próprio Pádua, da Unica, admite que essa tem sido a maneira de manter muitas das usinas em operação.

Consultor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires adverte que a situação tem se revelado mais crítica para as usinas voltadas exclusivamente para a produção de etanol. As unidades capazes de também produzir açúcar têm conseguido minimizar o prejuízo com uma ligeira recuperação dos preços do produto, nos últimos meses. Por n! ão dispor dessa opção, usinas como a Brenco, fundada por Henri Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras – que tem como acionistas o ex-presidente do Banco Mundial James Wolfensohn; o fundador da Sun Microsystems, Vinod Khosla; e o próprio BNDES – têm sido obrigadas a vender a produção a qualquer preço. Tal fato, de acordo com especialistas, acaba por agravar a situação do setor.

– A crise provocada pelos preços deve consolidar, no setor, a tendência de aquisições, fusões e até fechamento de usinas – projeta Pires. – O capital estrangeiro deve se fazer cada vez mais presente.

Ruralistas querem crédito do BNDES para canavieiros

Para desconforto do BNDES, o pleito por mais recursos não se limita só aos usineiros. Com respaldo da bancada ruralista do Congresso Nacional, plantadores de cana-de-açúcar também querem dinheiro para financiar a próxima safra. A medida contraria a prática do banco, que não prevê crédito para o setor agrícola, tradicionalmente financiado pelo Banco do Brasil. Em pelo menos uma ocasião, executivos do banco oficial foram procurados por deputados ligados aos produtores rurais: na semana passada, em Brasília. Executivos do setor revelaram que a demanda partiu de produtores da região Nordeste, e não do Centro-Sul do país.

Moratória branca

A disposição do banco oficial, ainda que a muito custo, é ajudar somente os usineiros. Embora a boa vontade se deva ao caráter prioritário do setor para o governo, o BNDES também está preocupado com o impacto que uma onda de falências no setor teria para o próprio banco. Embora a instituição não revele o valor total do estoque de crédito já financiado para as usinas, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) confirma que, das 283 usinas localizadas em sete dos principais estados produtores do país, 63 encontram-se inadimplentes com o Fisco ou em fase de renegociação de dívidas.

Como mesmo admitiram recentemente representantes dos usineiros, as usinas decretaram uma espécie de moratória branca no pagamento de impostos, para financiar a operação deficitária em tempos de baixos preços do etanol. O próprio Pádua, da Unica, admite que essa tem sido a maneira de manter muitas das usinas em operação.

Consultor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires adverte que a situação tem se revelado mais crítica para as usinas voltadas exclusivamente para a produção de etanol. As unidades capazes de também produzir açúcar têm conseguido minimizar o prejuízo com uma ligeira recuperação dos preços do produto, nos últimos meses. Por n! ão dispor dessa opção, usinas como a Brenco, fundada por Henri Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras – que tem como acionistas o ex-presidente do Banco Mundial James Wolfensohn; o fundador da Sun Microsystems, Vinod Khosla; e o próprio BNDES – têm sido obrigadas a vender a produção a qualquer preço. Tal fato, de acordo com especialistas, acaba por agravar a situação do setor.

– A crise provocada pelos preços deve consolidar, no setor, a tendência de aquisições, fusões e até fechamento de usinas – projeta Pires. – O capital estrangeiro deve se fazer cada vez mais presente.

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