Ridesa e Embrapa contribuem com governo do RS para impulsionar produção de cana

De acordo com zoneamento agroclimático feito pela Embrapa, 1,5 milhão de hectares no Rio Grande do Sul estão aptos para o plantio de cana, especialmente em uma faixa que vai do litoral Norte até a região Central do estado e no Noroeste. O governo gaúcho quer fazer o estado autossuficiente na produção de etanol e, até exportador do produto. A meta é que a cultura canavieira passe a ocupar 300 mil hectares, entre cinco a dez anos, e implantar mais usinas. E, para isso, o governo gaúcho está contando com o desenvolvimento de variedades de cana propícias às características do estado, até hoje, a cana plantada no Rio Grande do Sul são cultivares vindas do Paraná e Argentina. É aí que entra a colaboração da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) e da Embrapa que estão apostando em nove novas variedades indicadas ao Rio Grande do Sul. Após, seis anos de experimentação a campo, em 6 de novembro de 2012, as instituições realizaram o lançamento de cultivares, que vem confirmar a possibilidade de cultivo. “O Estado que não tinha variedades testadas, agora, possui indicações de materiais precoces e de ciclo médio/tardio”, explica o pesquisador Sergio Delmar dos Anjos e Silva, da Embrapa.

O professor Edelclaiton Daros, da Universidade Federal do Paraná (UFRP), integrante da Ridesa, explica que as variedades RB são voltadas à produção de álcool e durante os testes mostraram que possuem média e alta produtividade agrícola, condições regulares em situações de estresse por frio, boa sanidade vegetal, colheita em início e meio de safra com elevada riqueza e crescimento rápido. “Elas apresentaram excelente produtividade em qualidade e riqueza de colmo e de açúcar”, considerou. O pesquisador destacou um comparativo de crescimento de produção entre as cultivares já conhecidas – uma média de 34 toneladas/ha- e as testadas, que demonstraram uma produção média de 96 toneladas/há nos três anos de experimentação.

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Durante os testes foram realizadas 22 colheitas, com três cortes, entre as safras de 2010 a 2012. Os municípios gaúchos que participaram deste processo de pesquisa são: Santa Rosa, Erechim, São Luiz Gonzaga, Jaguari, São Borja, Porto Xavier, Salto do Jacuí, Santa Maria, Pelotas, Viamão e Caxias do Sul.

As indicações das variedades lançadas servem de parâmetros na experimentação agrícola para futuros materiais, ou clones, que já estão ou que serão testados. “Temos agora uma referência. O material que virá das universidades para serem testadas no Rio Grande do Sul tem que ser superiores em produtividade e riqueza a essas que estão sendo indicadas”, diz o professor.

Segundo ele, não existe material resistente a geada, o que existi é o manejo correto, com a escolha da época adequada para o cultivo e época de corte em que a cana estará em determinado desenvolvimento que possa passar por este período crítico com menor dano.

Política setorial

Promover uma política de incentivos está entre as metas do governo do estado para atingir este objetivo. Para a instalação de plantas industriais de etanol, o governo gaúcho oferece renúncia fiscal de 75% nos quatro primeiros anos e 50% nos quatro anos seguintes. Ação que tem dado resultado com a produção de biodiesel, o Rio Grande do Sul responde por 25% do biodiesel produzido no país, tendo a soja, como a principal matéria-prima.

Perfil de produção atual

A destilaria Coopercana, localizada em Porto Xavier, no noroeste do Estado, fronteira com a Argentina, tem capacidade para produzir entre seis e oito milhões de litros por ano, menos de 1% do que o Estado consome. Em 2013, o Estado deve consumir 1 bilhão de litros. Só a Braskem compra cerca de 500 milhões de litros para fazer seu plástico verde no Polo Petroquímico, instalado na cidade gaúcha de Triunfo. A maior parte do produto vem do Paraná e São Paulo, tirando dos cofres gaúchos R$ 1,3 bilhão.

A cana-de-açúcar gera renda para mais de 1300 famílias, em sua maioria, pequenos produtores, que da cana tiram o sustento ao produzirem melado, cachaça e açúcar mascavo no Rio Grande do Sul. Atualmente, 37 mil hectares do solo gaúcho são ocupados por cana, mas a produtividade é baixa de 35 toneladas por hectare e só 2,5 mil hectares são dedicados à produção do etanol, da destilaria Coopercana.

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