Resultado das eleições nos EUA vai afetar o Brasil

O resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos não vai afetar apenas a vida dos norte-americanos. Mas da população de vários países do mundo, incluindo o Brasil. Dependendo de quem vencer, o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain, questões como comércio exterior, crise financeira e políticas de imigração serão influenciadas. Veja a lista feita pela agência de notícias BBC dos principais interesses brasileiros que estão em jogo:

Imigração

Para os latinos em geral, esse é um tema de grande interesse. De acordo com estimativa do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, cerca de 1,2 milhão de cidadãos brasileiros vivem nos EUA, sendo 450 mil ilegalmente.

Os dois candidatos defendem que os imigrantes aprendam inglês e tenham uma vida digna em território americano. Mas as propostas dos dois lados incluem também maior segurança nas fronteiras e mecanismos que permitam aos empregadores descobrir se seus funcionários têm realmente visto de permanência no país.

Comércio Exterior

Os EUA são o maior comprador de produtos brasileiros, representando 14% das exportações. Para o governo, esse número poderia ser maior caso os norte-americanos reduzissem os subsídios aos produtores locais.

A grande expectativa é saber como o novo presidente vai administrar a estratégia comercial, sendo adepto do comércio livre ou do protecionismo. A primeira opção favorece o Brasil porque abre o mercado americano a uma maior quantidade de produtos brasileiros e porque cria condições para que as barreiras comerciais sejam diminuídas em âmbito mundial.

Etanol

Esse é um dos principais pontos de discórdia entre os dois países. Os Estados Unidos cobram uma sobretaxa de US$ 0,54 o barril sobre o etanol brasileiro, com a justificativa de que precisam proteger o produtor americano.

McCain, demonstrou, durante a campanha, ser contrário à taxação do etanol brasileiro. Mesmo assim, segundo o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília Carlos Pio, o etanol citado pode não ser do Brasil.

Também não se espera de Obama uma grande mudança já que o estado de Iowa, uma das bases eleitorais dele, é um dos maiores produtores de milho do país, outra grande fonte de produção de etanol e que compete com o produto brasileiro.

Conselho de segurança da ONU

Uma das principais bandeiras do governo brasileiro tem sido a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, com um assento permanente para o Brasil George W Bush não tem se empenhado na reforma da instituição. E nenhum dos dois candidatos se posicionou abertamente sobre o assunto.

Obama, no entanto, tem se mostrado mais aberto a mudanças. McCain chegou a propor a criação de uma “liga das democracias”, espécie de ONU excluindo países autoritários.

Crise financeira

Ao futuro presidente caberá, entre outras missões, liderar um movimento para reformulação do sistema financeiro internacional. Os países emergentes, entre eles o Brasil, estarão na disputa para participar ativamente desse processo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito que um novo sistema só será “justo” se construído em parceria, incluindo países ricos e em desenvolvimento.

Além disso, há um temor sobre a saída adotada pelo novo presidente para resolver a crise interna, que pode ser de cunho protecionista, dificultando a entrada de produtos estrangeiros no mercado americano.

Liderança na América Latina

Outro ponto importante da agenda do novo presidente diz respeito à sua postura com relação aos governos de esquerda na região, como o de Hugo Chávez, na Venezuela. Existe a preocupação de que uma atitude de enfrentamento contra esses governos possa aumentar a instabilidade na região e gerar conflitos próximos às fronteiras com o Brasil.

Obama já sinalizou que pretende conversar com Chávez, dentro de sua política de negociar com líderes antiamericanos. Já McCain tenderia a manter a atual política de isolamento contra Chávez e seus seguidores, entre eles os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa.

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