Restrição de crédito limita e altos custos prejudicam setor

A crise financeira global já faz vítimas no setor sucroalcooleiro, com forte restrição de crédito e altos custos de produção. Os financiamentos estão escassos. “O crédito está escasso e caro. Há 45 dias, por exemplo, grupos conseguiam financiamento com taxas entre 6% e 8% ao ano. Agora não consegue por menos de 20% a 23% ao ano”, afirmou Plínio Nastari, presidente da Datagro, consultoria sucroalcooleira. A Datagro organiza a 8ª Conferência Internacional de Açúcar e Álcool, que teve início dia 27 e se encerra hoje.

Há dificuldades para conseguir créditos de ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) ou operações de pré-pagamentos. “Sem capital de giro, muitas usinas deverão ofertar produtos no mercado, já que não terão como carregar estoques”, disse Nastari.

Muitas usinas do setor consideram rever seus investimentos. Mas grupos mais capitalizados acreditam que a compra de ativos poderá ser uma boa opção em um cenário de crise global.

É o caso da Cosan, um dos maiores grupos do Brasil. A companhia deverá colocar em operação, em 2009, a unidade de que constrói em Jataí, no sudoeste de Goiás. Segundo Pedro Mizutani, vice-presidente geral da Cosan, o projeto de Montevidiu poderá ser adiado. Para isso, basta a gigante encontrar uma usina em operação com preço atraente. “Crise é oportunidade. E os ativos já começam a ficar mais baratos”, diz ele.

A ETH, do grupo Odebrecht, não descarta postergar projetos de construção para investir na compra de usinas em dificuldades financeiras. Para 2009, o grupo pretende colocar em operação três plantas novas. “Vamos avaliar projetos ‘bronwfield’”, diz Clayton Miranda, vice-presidente do grupo.

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