Regulamentação do setor é fundamental, diz presidente da Asplan

A regulamentação do setor sucroenergético, que vive um momento de expansão no país, é uma medida indispensável para o fortalecimento da matriz energética nacional. A afirmação é do presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan-PB), Raimundo Nonato.

“A atuação do Governo Federal na implantação de estoques reguladores, como medida de segurança contra uma eventual escassez da oferta do etanol, e na determinação de cotas mínimas para a fabricação desse produto e de açúcar por parte das indústrias é fundamental para evitar um declínio no programa do álcool, semelhante ao que houve na década de 1990”, explica.

Na opinião do líder, é preciso que o Governo estabeleça o mínimo de controle sobre a produção de álcool e açúcar, para assegurar que as necessidades de consumo interno desses produtos sejam supridas independentemente de suas cotações no mercado externo.

O problema, segundo ele, é que hoje a oferta dos dois principais derivados da cana está, atualmente, à mercê do mercado, de modo que, as indústrias optam por produzir aquele que estiver mais em alta no mercado internacional.

Ainda de acordo com o presidente da Asplan, pelo regime de estocagem, o Governo anteciparia a compra do etanol ao término da safra, através do sistema de warrantagem, beneficiando tanto os produtores, que não ficariam a mercê do mercado externo para comercialização do produto, como os consumidores, visto que equilibraria o preço do produto já que a oferta estaria assegurada.

O presidente da Asplan lembra que a regulamentação do setor vem sendo reivindicada ao Governo Federal pelo segmento produtivo já há algum tempo, mas até agora não houve um retorno expressivo do Executivo. “O ex-presidente Lula havia prometido tomar uma iniciativa para disciplinar o setor, mas o mandato dele terminou e a promessa não foi cumprida. A expectativa é que o assunto seja retomado agora, como prioridade, no governo Dilma”, disse Nonato.

Nonato argumentou ainda que com a utilização dos estoques, não se precisaria recorrer a medidas como a antecipação da safra. O uso deste expediente, segundo Nonato, prejudica a qualidade da produção, já que a cana é esmagada antes de completar seu ciclo de maturação e contém menos sacarose. A medida também traz perdas para o segmento dos plantadores, que por ser obrigado a vender uma cana mais curta acaba recebendo menos pela matéria-prima o que, consequentemente, implica em menos rentabilidade para a atividade.

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