Recuperação dos preços internacionais anima negócios

A recuperação dos preços internacionais do açúcar continua estimulando os negócios com exportação. O impulso, observado nas últimas semanas, deve-se também à valorização do dólar sobre o real, o que tem incentivado os embarques brasileiros, de acordo com analistas de mercado.

Notícias altistas pressionam os preços internacionais na bolsa de Nova York. Informações de que o El Niño tem provocado seca na Austrália e Índia, dois grandes players mundiais, têm dado sustentação aos preços. Os efeitos climáticos, segundo meteorologistas, podem também prejudicar as lavouras canavieiras do Brasil. A previsão é de seca no norte do País e chuvas acima da média na região sul.

Desde o final do ano passado, analistas projetavam que os preços internacionais fossem despencar, sobretudo, com a entrada da grande safra brasileira. Entre o final de abril e maio, as cotações em Nova York, de fato, registraram movimento de queda, mas foi interrompido diante de notícias altistas no mercado mundial.

Os volumes da safra de cana-de-açúcar no Brasil têm sido revistos. Na próxima semana, a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica) deve divulgar o balanço da colheita e novas projeções de produção. Mesmo com a redução da colheita, a grande safra está confirmada. Últimas previsões apontam para uma colheita de 270 milhões de toneladas no Centro-Sul do Brasil, ante 244 milhões de toneladas no ano anterior.

De acordo com levantamento da Unica, o volume de cana moído até 16 de junho foi de 64 milhões de toneladas, 57% maior sobre o mesmo período do ano anterior. Em São Paulo, maior produtor mundial, a colheita no período atingiu 45 milhões de toneladas. O clima seco no Centro-Sul contribuiu para que o rendimento da cana apresentasse variação positiva, com uma média de 132 quilos de açúcar redutor total (ATR) por tonelada, em relação aos 124,4 quilos obtidos até junho de 2001, dados citados pela Hencorp Commcor.

Em relação ao açúcar, a produção de açúcar foi de 3,84 milhões de toneladas nas três primeiras quinzenas desta safra da região Centro-Sul, 72% acima se comparado com o mesmo período do ano passado. Em São Paulo, a produção foi de 2,9 milhões de toneladas.

Companhias sucroalcooleiras, como o Grupo J. Pessoa, têm aproveitado o dólar em alta para efetuar os embarques. Em recente entrevista ao Jornal Cana, o empresário José Pessoa de Queiroz Bisneto, presidente do grupo, ressaltou que os grandes volumes destinados ao mercado externo já foram embarcados. O ritmo de negócios tende a diminuir nas próximas semanas. O empresário cita como exemplo o clima prejudicando os canaviais. “Antes, ninguém se dava conta de que o clima poderia prejudicar a safra. Agora, os efeitos estão mais visíveis”, diz.

Com o maior volume de açúcar brasileiro destinado ao exterior, os preços do produto no mercado interno também se recuperaram. O mesmo efeito foi observado no álcool – tipos anidro e hidratado.

X