Recuo na exportação afeta ritmo de produção

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A perda nos volumes de exportação é uma das causas da desaceleração recente do ritmo de produção da indústria. O cruzamento dos dados de exportação de manufaturados e produção local mostra uma forte queda do primeiro indicador e uma pequena retração no segundo.

Dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) indicam que o volume de exportação de manufaturados no terceiro trimestre de 2010 foi 17% inferior ao registrado no mesmo período de 2008. Na mesma comparação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve queda de 0,96% na produção física total da indústria, embora as vendas do comércio varejista tenham subido 17%.

Os setores industriais com alta intensidade exportadora (que obtêm no exterior mais de 20,4% de suas receitas totais) sofreram menos – sua produção física caiu 0,2% no mesmo período. As indústrias de baixa intensidade exportadora sentiram mais dificuldades para manter seus negócios no exterior e registraram queda de 1,07% na produção do terceiro trimestre de 2010 em relação a igual período de 2008, quando a economia mundial ainda não havia entrado em crise.

Alguns segmentos, porém, estão com a produção física bem abaixo dessas médias, na mesma base de comparação. É o caso da indústria de produtos de metal, setor que teve queda de 23,6% nos volumes exportados e cuja produção física caiu 4,1%. Em máquinas e equipamentos, houve redução maior na produção física, com queda de 6,5%. No mesmo período, os volumes embarcados pelo segmento caíram 22,8%. No setor de material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações, onde o total vendido ao exterior despencou 37,4%, a produção física diminuiu 22,3%.

“Os dados do terceiro trimestre mostram que ainda não há uma superação de forma consistente da produção física industrial de 2008”, diz André Macedo, gerente da pesquisa industrial mensal do IBGE. Isso deve-se, acredita, a um cenário diferente entre os dois períodos em termos de exportação e importação. Isso tem afetado de forma diferente a produção, mesmo que com um nível de atividade no terceiro trimestre de 2010 muito próximo ao do mesmo período de 2008. Macedo lembra que a indústria não sustentou o ritmo de produção do primeiro trimestre de 2010, quando houve forte influência de medidas anticíclicas, como a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns segmentos.

Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, acredita que a queda das exportações pode explicar parte da inibição de nível de produção em alguns segmentos. “O Brasil não consegue exportar os mesmos volumes em manufaturados e o crescimento do mercado doméstico nem sempre consegue suprir a lacuna das exportações das indústrias”, diz o economista. Além disso, explica, as indústrias estão sofrendo no mercado interno a concorrência com os importados.

A penetração dos importados no consumo doméstico aumentou de 16,7% no terceiro trimestre de 2008 para 20,3% no período de julho a setembro deste ano segundo série da LCA Consultores, lembra Bráulio Borges, economista-chefe da consultoria. Embora a participação de produtos estrangeiros no mercado interno esteja afetando a atividade industrial, explica, as exportações também estão fazendo diferença em alguns segmentos.

Borges usa o exemplo do setor de automóveis. Ele lembra que, de acordo com os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o número de veículos produzidos aumentou 3,5% no terceiro trimestre de 2010, na comparação com julho a setembro de 2008. No mesmo período, as exportações do setor tiveram alta de 9,7% e as vendas no mercado interno cresceram 2,3%.

Em igual comparação, observa Borges, as importações cresceram em ritmo acelerado, atingindo 45,9%. Segundo seus cálculos, caso as importações tivessem se mantido no mesmo patamar do terceiro trimestre de 2008, com crescimento zero, a produção das montadoras nacionais teria crescido muito mais: 9,3%. Se as exportações tivessem ficado no mesmo nível (sem crescimento), porém, a produção teria crescido apenas 1,8% em vez dos 3,5%.

Borges lembra que o setor automobilístico tem grande coeficiente de exportação. Na média dos últimos 12 meses, diz o consultor, a participação da exportação na produção nacional do setor foi de 21%. A média geral da indústria brasileira é de 12%.

De acordo com dados do IBGE, a produção física de veículos automotores teve elevação de 1% no terceiro trimestre de 2010, na comparação com julho a setembro de 2008. No mesmo período, o volume de exportação de automotores, reboques e carrocerias teve redução de 19%, segundo a Funcex. Ao mensurar a produção física, o IBGE pondera o valor adicionado dos itens fabricados pela indústria, cálculo diferente do da Anfavea. A Funcex faz ponderação semelhante ao medir o volume de exportação.

Fernando Sarti, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acredita que o efeito das exportações no nível de produção das indústrias não atinge os setores de forma simétrica. Ele diz que em alguns segmentos a concorrência com os importados no mercado interno pesou bem mais. “Em segmentos como têxteis e calçados, por exemplo, a exportação é menos representativa.” Nesses segmentos, acredita, a penetração dos produtos estrangeiros no consumo doméstico é que tem inibido a recuperação da indústria.

“O efeito da queda das vendas ao exterior na produção física industrial tende a fazer maior diferença nos setores em que o coeficiente de exportação é maior”, explica Sarti. Ele cita como exemplos os segmentos metalúrgico e automobilístico. “Mesmo nesses setores, porém, a competição com os importados também tende a ser um fator importante.”

Segundo dados da Funcex, o volume de exportação do setor de metalurgia básica caiu 20,3% de julho a setembro deste ano, na comparação com o terceiro trimestre de 2008. No mesmo período, a produção física da metalurgia básica caiu 6,8%.

Silveira diz que o câmbio faz a grande diferença, tanto para a questão das importações quanto dos embarques. A valorização do real frente ao dólar torna o custo da produção interna mais alto e faz o produto estrangeiro chegar ao país mais atraente. Ao mesmo tempo, há a perda de rentabilidade das exportações. “Os exportadores ainda estão tendo recuperação em termos de receitas em função da valorização dos produtos embarcados”, diz. Mas essa recuperação, lembra, é muito influenciada pela valorização de produtos agropecuários, como frango, suco de laranja e açúcar, por exemplo. “Não sabemos até quando essa valorização irá continuar.”

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