Raízen tem plano de expansão mais robusto para 2016

Com pouco mais de cinco anos de criação, e com um novo presidente desde 1º de abril, a Raízen S.A., uma joint venture dos grupos Cosan e Shell, tem como foco extrair o máximo dos ativos que opera em sua estratégica de crescimento.

“Estamos felizes aonde chegamos, mas não totalmente satisfeitos. Pode ser melhor”, disse Luis Henrique Guimarães, executivo escolhido pelos acionistas para gerir a companhia, uma gigante do setor de energia, com receita líquida de R$ 74 bilhões no ano fiscal encerrado em março.

E em entrevista ao Valor pouco antes da concorrente Ipiranga, do grupo Ultrapar, adquirir o controle da distribuidora de combustíveis AleSat, Guimarães afirmou que a consolidação dos negócios da empresa chegou a um ponto bastante satisfatório.

A aquisição da Ale pela concorrente provoca relevante mexida no varejo de combustíveis, ampliando a concentração nas mãos de três grupos brasileiros – um estatal e dois privados.

A BR, controlada pela Petrobrás, se mantém líder, a Ipiranga, vice-líder, e a Raízen na terceira posição.

Sem cravar uma meta de abertura de pontos de venda por ano e uma estratégia de expansão via aquisições, Guimarães afirmou que os novos postos “vão ficar acima da média dos últimos cinco anos”.

Ou seja, acima de 240 estabelecimentos, que são todos de parceiros. Todavia, há informações de atingir um número em torno de 300 postos em 2016.

O executivo, oriundo da Comgás, também da Cosan e com uma breve passagem pela Raízen no início de sua criação, disse que a empresa vai continuar olhando oportunidades de aquisições, principalmente postos de “bandeira branca”, que atuam sem marca. Uma grande aquisição, como a da Ale, até aquele momento, não estava no radar, afirmou. “Estamos focados nos ativos que operamos hoje, buscando maximizar eficiência, e cuidando daquilo que podemos controlar: investimentos e custos”.

Em receita, esse é o maior negócio da Raízen, com R$ 63,74 bilhões no ano-fiscal encerrado em 31 de março. Pelos dados do Sindicom, que engloba as quatro grandes distribuidoras – BR, Ipiranga, Raízen e Ale – a empresa tem 25% das vendas.

Pelos números de 2015 da ANP, agência reguladora do setor de petróleo que levanta dados totais de venda do mercado (incluindo postos sem marca), a fatia beira 19%, no calcanhar da Ipiranga, que vai ganhar 3,7% da Ale.

O plano da empresa prevê investimento médio de R$ 800 milhões neste ano, com foco na expansão da rede de distribuição – além dos postos Shell e das lojas de conveniência, a Raízen Combustíveis está presente em mais de 60 aeroportos, como supridora de combustíveis de aviação.

O grupo Raízen opera três negócios: distribuição, com a marca Shell, num total de 5,81 mil postos espalhados no país, produção de etanol e açúcar e geração de energia a partir do bagaço da cana.

Não menos importante, a Raízen Energia não escapa do receituário geral. Herdeira da cultura e da estrutura sucroalcooleira da Cosan, a companhia passou seus primeiros cinco anos de existência justamente em um longo período de preços deprimidos do açúcar no mercado global.

Mesmo assim, a receita líquida cresceu a uma média de 13% ao ano desde a criação da joint venture.

O crescimento se deu dentro de poucas alterações no tamanho da empresa, que nasceu líder na produção de açúcar e etanol no país, com capacidade de processar 62 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, e hoje tem capacidade de moer 68 milhões de toneladas.

Essa capacidade abriga com folga o volume que a companhia deve processar na safra atual, entre 60 milhões e 64 milhões de toneladas. “O foco é em ativos que nós temos. Estamos satisfeitos com o nosso tamanho”, resume Guimarães, que reforça seu mantra de apostar em inovação e tecnologia para aproveitar ainda mais a estrutura existente.

A otimização da estrutura já ocorreu na última entressafra. Foi quando a Raízen Energia fez a manutenção dos equipamentos das 24 usinas por apenas dois meses, quando o normal é que o processo dure no mínimo três meses.

A otimização do tempo e a retomada da moagem de cana em março foi possível não apenas por causa do tempo seco naquele mês, mas também porque a Raízen realizou testes ao longo da safra que diminuíram a necessidade de manutenção no fim da temporada, explica o executivo.

Para controlar os investimentos em renovação de canaviais, a Raízen também pretende aumentar a vida útil da cultura de uma média de cinco para seis anos, buscando manter a produtividade. Na safra atual, a idade média já deve se aproximar dessa meta, informou o executivo.

A cogeração de energia a partir de cana é outro caminho que a Raízen vê para ganhar valor sem necessidade de novos aportes. Atualmente, com potência para gerar 940 megawatts, a empresa comercializa a cada safra pouco mais de 50% de tudo o que produz de energia, que totalizam o equivalente a 2,2 milhões de megawatt-hora (MWh).

Segundo Guimarães, é possível aumentar a quantidade de energia elétrica exportada para o sistema apenas reduzindo o consumo dentro das próprias usinas. Porém, o executivo pondera que o incentivo à comercialização do insumo depende também de regras mais claras do mercado.

Uma aposta relevante da Raízen Energia foi a planta de etanol celulósico, ou de segunda geração, produzido a partir do bagaço da cana-de-açúcar, localizada em Piracicaba (SP).

Considerada uma das inovações mais importantes do agronegócio das últimas décadas, apenas a planta atual tem a capacidade de aumentar em 50% a produção de etanol da empresa. No ano passado a produção de etanol 2,148 bilhões de litros.

A tecnologia ainda está em seus primeiros passos no Brasil e chegou a apresentar alguns problemas para as empresas que a adotaram. A GranBio, que construiu uma planta de etanol celulósico em Alagoas, está com sua unidade parada desde abril para resolver problemas no pré-tratamento da matéria-prima.

A unidade da Raízen não passou incólume, embora não tenha chegado a paralisar suas operações. “Entramos na safra 2016/17 produzindo, mas tivemos desafios no pré-tratamento”, afirma o CEO da companhia, que preferiu não entrar em detalhes.

A movimentação mais recente da Raízen foi a criação de uma joint venture de comercialização de açúcar com a trading Wilmar, de Cingapura. A parceria deve fortalecer o acesso da companhia aos mercados consumidores internacionais. O acordo só aguarda aprovação da Comissão Europeia para entrar em vigor.

Fonte: (Valor)

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