Quanto as impurezas minerais impactam a produtividade agrícola canavieira

Avaliar as impurezas minerais é um dos parâmetros utilizados para verificar a qualidade da cana-de-açúcar que será processada pela indústria, bem como a eficiência nas operações de colheita realizada pela área agrícola.

Sabe-se que a quantidade de impurezas minerais impacta diretamente as operações de recepção, preparo e extração do caldo, etapa importante na produção do açúcar, etanol e energia. A impureza mineral é a principal responsável pelo desgaste de abrasão dos equipamentos utilizados na alimentação, preparo e moagem da cana, assim como nas caldeiras, impactando o desempenho de seus componentes e elevando os custos de manutenção.

Em um recente levantamento realizado pelo BENRI compreendendo o período da safra 2014/15 até a 2017/181, revelou uma queda de 4,90% a.a. (CAGR) no volume de impurezas que chega até a indústria, passando de um valor de 14,50 para 12,47 kg/ton. conforme mostra o gráfico abaixo:

Em relação a eficiência, usinas classificadas com excelência operacional (rating AAA) nesse quesito apresentaram até 6,62kg/ton de impurezas minerais na safra 2016/17. Já aquelas com média de eficiência operacional (rating B) registraram um valor de 13,51 kg/ton no mesmo período.

O aumento observado no rating BENRI na safra 2015/16 refletiu a ocorrência de chuvas nos meses destinados à colheita do canavial. De fato, a precipitação acumulada entre os meses de abril e novembro de 2015 na região Centro-Sul foi de 738,8 mm/𝑚3, valor 37,5% superior a precipitação observada em 2017 para o mesmo intervalo.

Distribuição mensal das chuvas na região Centro-Sul para os anos de 2015 a 2017. Fonte: INPE.

A grande quantidade de cana bisada processada em 2016 pode ter contribuído para o aumento do volume de impurezas minerais verificado em algumas unidades. Para a safra 2017/18, a expectativa é que o clima seco durante os meses de colheita tenha atuado no sentido de reduzir as impurezas minerais trazidas com a cana-de-açúcar. Entretanto, há a possibilidade de que algumas usinas que tenham sofrido com queimadas ao longo dessa safra e seus canaviais  observem um aumento nesse indicador.

Tem-se também que parte da redução observada no nível de impurezas minerais pode ser associada ao decréscimo acumulado de 4,04% na produtividade agrícola entre os anos safras de 2015/16 e 2017/18.

Por fim, a análise concluiu que unidades produtoras estão mais cuidadosas no conjunto das operações agrícolas que são necessárias, além da colheita propriamente dita, para a melhoria nos indicadores que compõem a colheita mecanizada e, portanto, estão colhendo com melhor qualidade.

 

 

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