Projeto prevê voo de teste com bioquerosene em 2012

O bioquerosene de aviação produzido a partir da cana-de-açúcar poderá estar disponível para utilização comercial a partir de 2013 ou 2014. A expectativa é da empresa americana Amyris, que se uniu a Embraer, Azul e GE para desenvolver o combustível e fazer, em 2012, um teste de voo. A Amyris já possui um centro de testes e pesquisas na região de Campinas e pretende adquirir uma usina no Brasil para produzir bioquerosene. O diretor-geral da empresa no Brasil, Roel Collier, afirmou que a expectativa é que o negócio seja fechado nas próximas semanas.

O projeto da Amyris, empresa criada há seis anos nos Estados Unidos e presente no Brasil há dois, envolve o acréscimo de uma levedura ao caldo de cana, estágio posterior à moagem do produto. A levedura, desenvolvida pela companhia, fermenta, criando um óleo, que é separado do caldo de cana por um process! o de centrifugação. Apesar de ser produzido a partir da cana, o bioquerosene resultante é um hidrocarboneto, com poder calorífico igual ou superior ao equivalente derivado do petróleo, mas com um nível de emissão de dióxido de carbono (CO2) similar ao etanol.

No teste que será feito em 2012, um dos motores da aeronave – que será pilotada pelo diretor de operações da Azul, Miguel Dau – terá o bioquerosene misturado a uma proporção de 20% a 50% ao querosene de aviação normal.

Collier acrescentou que os custos de produção do bioquerosene devem seguir os custos de produção do etanol, já que 60% dos gastos são ligados à matéria-prima utilizada. A aquisição da usina pela Amyris deverá permitir que a empresa fabrique o produto em condições industriais no Brasil a partir de 2011.

” O processo em escala industrial vai ser feito aqui, porque a infraestrutura de produção fica aqui, as usinas ficam aqui, a matéria-prima está aqui e não faria sentido fazer isso em outro l! ugar ” , afirmou Collier.

Miguel Dau acredita que as companhias aéreas poderão ser beneficiadas pela redução de custos, uma vez que o querosene de aviação representa mais da metade dos gastos de uma empresa do setor.

O diretor de desenvolvimento comercial da GE no Brasil, Claudio Loureiro, destacou que em fevereiro do ano passado a Virgin realizou um voo entre Londres e Amsterdã com uma mistura de 20% de óleo de babaçu misturado ao querosene de aviação e revelou que, nos EUA, a Continental e a Boeing desenvolvem um projeto, para voo em 2011, de uso de biocombustível adicionado ao combustível tradicional.

” Mas esse será o primeiro voo no mundo com bioquerosene a partir de cana ” , afirmou.

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