Produtores dizem em NY que nível do câmbio preocupa

O nível da taxa de câmbio e seu impacto sobre as exportações de açúcar foi um dos temas constantes nas conversas entre os produtores brasileiros que participaram há pouco da Conferência Anual de Açúcar e Álcool no Brasil, realizada durante o evento Sugar Club Dinner, no Hotel Intercontinental, em Nova York.

Os produtores brasileiros defendem a livre flutuação do câmbio e a não intervenção do Banco Central para evitar uma maior apreciação do Real. Contudo, a valorização da moeda brasileira já preocupa. O presidente do Grupo J. Pessoa, José Pessoa de Queiroz Bisneto, disse que o governo não deve intervir no câmbio e que o regime cambial está funcionando de maneira adequada. Ele acredita, no entanto, que o Real voltará romper a barreira dos R$ 2,80 por dólar, mas observa que o mercado irá se ajustar mais adiante e encontrará um nível adequado.

Apesar de defender a não intervenção no câmbio, Queiroz disse que o Grupo J. Pessoa, que produz açúcar e álcool em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro e Sergipe, havia feito programa para exportar 300 mil toneladas de açúcar nesta safra. “Até agora vendi 30 mil toneladas, mas dependendo da taxa de câmbio não vou vender o restante, vou produzir mais álcool ou destinar mais açúcar para o mercado interno. O nível de dólar pode levar os produtores a destinar a produção para o mercado interno”, disse Queiroz.

“Embora isso seja por pouco tempo, porque na hora em que se reduz o volume de açúcar exportado o mercado internacional terá que chegar a um preço que viabilize a volta da oferta de um volume maior de açúcar”. Na opinião do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Pernambuco, Renato Augusto Pontes Cunha, o governo não deve intervir no mercado de câmbio. “Devemos nos acostumar a conviver com esta volatilidade do dólar, pois o mercado acaba se ajustando de uma forma ou de outra, disse.

Segundo Cunha, a cotação do dólar ao patamar de 2,80 e 2,85, “em função dos investimento que fizemos no setor para modernizar as fábricas”, ainda assim possibilita uma equação comercial positiva. “Mas se o dólar cair abaixo de 2,80 começa a preocupar um pouco”, explicou. Para o diretor presidente da Grupo Cosan, Rubens Ometto Silveira Melo, uma taxa de câmbio abaixo de 2,80 prejudicaria a rentabilidade dos produtores, mas não iria reduzir as exportações. “Isto porque, o nosso programa de exportações é de longo prazo. Não podemos pensar no curto prazo, numa política stop and go”, afirmou Ometto.

Ele acredita que o dólar voltará a subir um pouco. “O lado ruim da taxa de câmbio hoje é porque provoca impacto nas exportações, mas é bom para o País porque mantém a inflação em baixa”, afirmou Rubens Ometto.

Fonte: Agestado

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