Produtores de etanol no Brasil se dizem otimistas

Barack Obama, até agora favorável à manutenção de subsídios para etanol de milho, poderá repensar sua política para biocombustível, com impacto positivo para o Brasil. Essa é pelo menos a mensagem que pessoas próximas do futuro presidente dos EUA passaram a interlocutores.

Durante a campanha, os dois candidatos à Presidência dos EUA prometeram estimular energias renováveis, mas divergiram sobre etanol. Obama acenou com apoio ao setor, enquanto John McCain foi duro contra os subsídios, que chegam a US$ 7 bilhões este ano.

Só que a equipe de Obama vem indicando a alguns interlocutores que o compromisso do futuro presidente é pela diversificação da matriz energética americana, para reduzir a enorme dependência em relação ao petróleo estrangeiro, por exemplo da Venezuela ou da Arábia Saudita, e que há diferentes maneiras de obter isso.

Nesse contexto, Obama está mais atento aos estragos causados pela produção de etanol de milho, inclusive depois da crise alimentar mundial. A tendência na equipe é inclusive a importação de etanol de cana, combinada com maciços investimentos em tecnologia para etanol de terceira geração.

Para importar mais etanol de cana do Brasil, o maior produtor mundial, os EUA terão de acabar com uma sobretaxa de US$ 0,54 por galão que Brasília vem ameaçando denunciar aos juízes na Organização Mundial do Comércio (OMC) como uma violação das regras internacionais.

Obama tem relações próximas com produtores de etanol, e o maior deles acaba de anunciar investimento no Brasil. É a Archer Daniels Midland (ADM), o principal produtor americano do biocombustível, que forneceu um avião da empresa para Obama nas campanhas eleitorais.

A ADM anunciou que vai produzir etanol de cana no Brasil, investindo US$ 300 milhões numa joint venture em duas fábricas com o Grupo Cabrera, de São Paulo.

Em São Paulo, o presidente da União da Indústria da Cana, Marcos Jank, destacou que compromissos assumidos por Barack Obama durante a campanha apontam para uma presença ainda mais ampla no país para as energias renováveis. Ainda mais se Obama ampliar, como prometeu, em mais de 60% o compromisso de produção e utilização de etanol assumido por lei pelo governo americano. “A vitória de Barack Obama pode ser muito boa para os produtores brasileiros de etanol”, disse.

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