Produtor registra pior resultado diante da inflação desde janeiro

No acumulado do ano, maio marcou o pior retorno dos agricultores paulistas diante da inflação. A variação acumulada nestes primeiros cinco meses pelo Índice de Preços Recebidos pelos Agricultores (IPR) foi de queda de 0,07%. No mesmo período, o Índice Geral de Preços Médios (IGP-M) fechou em alta de 6,97%, e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe acumulou avanço 5,51%.

Isso indica uma perda no poder de troca dos agricultores paulistas da ordem de 7,04 pontos percentuais frente ao IGP-M e de 5,58 pontos percentuais em relação ao IPC.

Segundo o diretor do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo (IEA), Nelson Martin, o resultado negativo para o setor produtivo apurado em maio está dentro da ‘normalidade’ uma vez que congrega fatores como a plena safra de grãos e a queda no preço do dólar que incide diretamente sobre produtos como soja e milho. “As condições climáticas melhoraram bastante em relação ao início do ano. Ou seja, há um aumento na oferta. Com o câmbio quase 20% mais baixo, os preços dos alimentos tendem a cair também.”

Um dos produtos que mais reflete o aumento de oferta em relação às condições climáticas é o milho. O grão acumula queda de 36,3% em sua cotação desde o início do ano, liderando assim o maior recuo entre os 19 produtos pesquisados pelo IEA. Segundo Martin, essa é a maior safra de milho que o Brasil já teve. “Está praticamente garantido que o volume da safrinha de inverno será grande. Além disso, há um outro fator. Alguns produtores guardaram milho para especular no próximo semestre. Com a grande oferta, resolveram vender. Por isso, os preços tendem a cair ainda mais”, afirma Martin. “No começo do ano, a saca custava entre R$ 25 e R$ 28. Agora está entre R$ 15 e R$ 16.”

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