Produção gera impacto social e reverte êxodo

Jaíba. Quem nasceu no Projeto Jaíba e, no passado, abandonou o Norte de Minas para trabalhar em outras regiões do país está de volta. Os funcionários da usina São Judas Tadeu são uma amostra da retração do êxodo rural e aumento da renda. A produção da usina também atraiu profissionais do setor sucroalcooleiro de outras regiões do Brasil diante do crescimento da empresa, única do setor no Norte de Minas.

São motoristas, operadores de colhedoras, mecânicos e profissionais como Luigi Alinovi, 69, ex-diretor de projetos da Parmalat na América Latina e Itália, que está no Jaíba desde a construção da usina. “Adoro o trabalho de manutenção em geral, acompanhar a montagem… Temos muitos projetos para desenvolver”, disse Luigi, sobre a nova f! ase de consultoria na Sada Bio Energia.

Grávida de seis meses, Janaína Rodrigues Silva, 21, é o retrato do impacto social da usina de álcool na vida dos moradores de Jaíba. “A cidade não tinha nada. Só tinha o distrito de irrigação, a maioria ia embora. Desde que a Sada veio para cá, todo mundo voltou para a origem”, diz.

Sentada numa mesa sob a proteção da imagem de são Judas Tadeu, Janaína trabalha na recepção da usina com um olhar no futuro. Pretende crescer na empresa e, para isso, é estudante do curso de pedagogia da Unopar, no município de Jaíba, onde paga R$ 200 de mensalidade.

Para as gerações futuras da família, Janaína também espera a garantia de emprego. “Quero que meu filho trabalhe aqui”, afirma, enquanto acaricia a barriga.

Há três anos na empresa, a funcionária mais antiga da Sada Bio Energia no Projeto Jaíba, Luciquele Aparecida Ferreira Silva, 21, tem uma felicidade contagiante.

Começou como recepcionista e agora o cargo de faturista.! “Antes trabalhava num telecentro comunitário para crianças carentes do governo federal. Ganhava uma bolsa de R$ 120. Agora estou bem melhor, ganho R$ 860 e vou me casar em maio do ano que vem”, contou. Morando com os pais na cidade de Jaíba, Luciquele conhece famílias com até três pessoas trabalhando na usina. “A Sada trouxe emprego. Antes o pessoal trabalhava na roça”, diz.

Márcio Hernane de Oliveira, 28, também conseguiu retornar ao Norte de Minas depois da rotina pesada como cortador de cana de açúcar em lavouras do Paraná, Mato Grosso e interior de São Paulo, onde conseguiu uma vaga de tratorista e depois operador numa usina paulista.

Com a usina São Judas Tadeu no Projeto Jaíba, Márcio Hernane conseguiu ficar mais perto da família, em Porteirinha, a 582 km de Belo Horizonte. Na casa dele, o irmão também é funcionário na usina e o pai tem uma área de plantio no Projeto Jaíba. “Aqui estou praticamente em casa”, comemorou Márcio, que conhece vários funcionários que ! trocaram Goiás, São Paulo e municípios da região como Salinas, Janaúba e Montes Claros, pelo Projeto Jaíba. Um dos exemplos é o gerente de irrigação da Sada, Newton Carneiro, que viaja sempre para Janaúba ao encontro da mulher e dos filhos.

Com experiência comprovada e distante da labuta dos canaviais, Márcio Hernane é o encarregado responsável pela colheita da Sada Bio Energia há quase dois anos. “Olho o serviço de três turnos de até 80 pessoas”, explicou, sobre a responsabilidade da função. A diferença da São Judas Tadeu para outras usinas do país, de acordo com Márcio, é o plantio irrigado e a possibilidade de crescimento da empresa. “A Sada está nascendo, quero evoluir junto”, disse Márcio, que pretende fazer faculdade de administração de empresas.

Promessa

“Adoro o setor sucroalcooleiro, gosto do processo de produção, do ambiente de trabalho bom

na usina, a empresa promete ter crescimento de mercado com uma estrutura criada em poucos anos”

Edilson Jardim Viana

engenheiro de processos da Sada Bio

Negócios

Comércio lucra com empresas

O poder de venda do comércio da região do Jaíba cresceu, com a instalação da Sada Bio Energia, Brasnica, Pomar Brasil, Best Pulp e Ibá Agroindustrial. O Restaurante da Rosilda remonta a um clima de praia a poucos metros das areias do rio São Francisco. A anfitriã coloca repelente de insetos nas mesas para até cem pessoas espalhadas pelo chão de areia da comunidade de Mocambinho, música ao vivo e bebidas bem geladas.

Todos conhecem Rosilda Lima Araújo Sena, uma baiana “arretada” que faz carne de sol com mandioca e galinha caipira com pirão famosos na área. “O povo vai onde o restaurante dela está”, conta um dos clientes. “Eu amo o Projeto Jaíba”, declara Rosilda, há 16 anos na região. Depois da vinda da Sada, ela viu o faturamento no restaurante crescer mais de 50%.

Há 35 anos no Projeto Jaíba, João Maria da Silva,! 53, também está feliz com sua Distribuidora Imperial. “A vida melhorou muito com a usina e seu turno ininterrupto. Meu faturamento aumentou em 20%”. (HL)

Usina permite o retorno de moradores e atrai profissionais

As chances de crescimento e a proximidade de casa fizeram do engenheiro Edilson Jardim Viana, 28, um funcionário da Sada Bio Energia. Nascido em Coronel Murta, a 350 km do Projeto Jaíba, Edilson Jardim é o engenheiro de processos que comanda 23 pesquisadores no laboratório e a análise de mais de 70 variedades de cana da usina São Judas Tadeu. “A empresa promete muito crescimento no mercado, quero formar família e não pretendo sair daqui”, disse.

Orlando Barbosa Santos, 35, é operador de máquinas. “Antes de entrar aqui não tinha profissão.

Trabalhei como servente de pedreiro em Uberlândia e Belo Horizonte”, contou Orlando, que nasceu no Jaíba e já conseguiu comprar uma casa. “Antes eu morava em um barraco”, disse.

(HL)

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