Produção de transgênicos cresce 19% no País

Em 2010, o Brasil plantou 25,4 milhões de hectares de cultivos transgênicos ou geneticamente modificados, que representa um aumento de 19% ante o ano anterior, segundo o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas (ISAAA). O foco para os próximos anos no País é a chegada de tecnologias para o milho, o feijão e o arroz. De um total de 148 milhões de hectares de cultivos transgênicos plantados no mundo em 2010, os Estados Unidos permanecem no topo da lista com 66,8 milhões, seguido por Brasil com 25,4 milhões e a Argentina, 22,9 milhões de hectares plantados.

O Brasil, que teve pelo segundo ano consecutivo o maior aumento ano a ano do mundo em plantações biotecnológicas, somando aos 21,4 milhões de hectares de 2009 mais 4 milhões no ano passado, pode se tornar o maior produtor de áreas transgênicas no mundo nos próximos anos. “Sem dúvida o Brasil pode ocupar a primeira posição no mundo, porque, à medida que aumentam as demandas por ração, alimentos e fibras no mundo, principalmente na Ásia, o País ganha destaque, pois é o único do mundo que ainda possui uma enorme área com água que pode entrar em produção”, garantiu Clive James, presidente e fundador do ISAAA, em entrevista exclusiva ao jornal DCI.

Segundo ele, até 2015 além da soja, milho e algodão, que já são produzidos com biotecnologias, o País irá receber novas tecnologias para o arroz, feijão, milho e cana-de-açúcar. ” O arroz e o feijão são muito apreciados pelos brasileiros e prevejo que até 2015 traremos qualidades desses produtos para melhorar as plantações brasileiras. A cana também terá uma variedade transgênica nos próximos cinco anos, assim como uma qualidade de milho que se adapta melhor ao clima seco”, disse ele.

Em 2010, dos 24,1 milhões de hectares plantados com soja no Brasil, aproximadamente 75% eram formadas por plantações transgênicas, ou seja, 17,8 milhões de hectares. Co m o milho a situação não foi diferente, dos 13 milhões de hectares totais plantados com o grão, cerca de 7,3 milhões eram transgênicos, que representa 55%. Já no algodão o crescimento foi um pouco menor: 26% de aumento, sendo que o Bfrasil fechou com 1,4 milhão de haectares de área total do produto cultivada e os transgênicos foram responsáveis por 250 mil hectares. “As plantações transgênicas contribuiram para dobrar a produção brasileira anual de grãos nos últimos 20 anos, enquanto a área utilizada para as plantações aumentou apenas 27%. Com a capacidade de elevar a produção para 100 milhões de hectares de área plantada, o Brasil continuará sendo a mola propulsora na adoção global de plantações biotecnológicas e está investindo em infraestrutura para apoiar esse crescimento”, comentou James.

Entre os maiores estados brasileiros produtores de culturas transgênicas, Clive James destacou o Mato Grosso como o maior, com 6,1 milhão de hectares de culturas transgênicas, seguid o pelo Rio Grande do Sul, com 5,2 milhões, e por fim o Paraná, com 4,8 milhões de hectares. “Isso mostra que produtores de diferentes regiões do Brasil, a partir do momento que tem acesso a melhores tecnologias adaptadas as necessidades de cada região, adotam rapidamente a biotecnologia. Por isso, o País obteve resultados tão expressivos”, disse o presidente da ISAAA.

Mundo

Em 2010 as culturas transgênicas foram responsáveis por 148 milhões de hectares no mundo, crescimento de 10% ante 2009 quando foram registrados 134 milhões de hectares. A meta até 2015, segundo a entidade, é atingir a marca de 200 milhões de hectares de plantações transgênicas. “Em 2005 previ que o número de países ia dobrar de 20 para 40, que o número de produtores passaria de 10 milhões para 20 milhões e que a área plantada dobraria de 100 milhões para 200 milhões de hectares. E isso já está muito próximo”, comemorou James.

Os países em desenvolvimento cultivaram 48% das plantações transgên icas globais em 2010 e segundo o ISAAA ultrapassarão as nações industrializadas até 2015. Os países da América Latina e da Ásia deverão ser os maiores responsáveis pela ampliação dos hectares globais cultivados com essas lavouras na segunda década de comercialização da tecnologia de transgênicos.

Dos 15,4 milhões de agricultores que plantaram culturas transgênicas, 90% ou 14,4 milhões são pequenos agricultores de países em desenvolvimento e com poucos recursos. Hoje, a maior parte dos pequenos agricultores na China e na Índia cultiva transgênicos: 6,5 milhões de agricultores chineses e 6,3 milhões de agricultores indianos. “A demanda por tecnologias de alimentos é muito maior em paises em desenvolvimento, porque eles representam a maior porcentagem da população global. Muitos deles tem políticas para o alivio dessa pobreza. O Brasil e a China são exemplos disso, então essa é uma tecnologia que serve para a segurança alimentar, e também para diminuir a pobreza”. Em 2010, trê s países cultivaram transgênicos pela primeira vez, totalizando 29 países a aderir a essa tecnologia.

X