Produção agrícola brasileira deve crescer 30% em dez anos

Nos próximos dez anos, o País deverá produzir 40 milhões de toneladas de grãos a mais que a produção atual. Levando em consideração as safras de soja, milho, trigo, arroz e feijão, a produção deverá saltar de 139,7 milhões de toneladas na safra 2007/08 para 179,8 milhões de toneladas em 2018/19, aumento de 28,7% no rendimento das principais lavouras.

A produção de carnes deve avançar 51% no mesmo período. Carnes de frango, bovina e suína deverão saltar de 24,6 milhões de toneladas para 37,2 milhões de toneladas, um aumento de 12,6 milhões de toneladas. Outros produtos como etanol terão elevação de 37 bilhões de litros, o açúcar com aumento de 14,5 milhões de toneladas, e o leite, um acréscimo de 9 bilhões de litros.

Essas projeções para os próximos dez anos foram tema de palestra realizada nesta terça-feira (18) no auditório da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, em Curitiba. A convite do secretário, Valter Bianchini, o assessor de Planejamento Estratégico, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Garcia Gasques, explicou os detalhes da pesquisa aos técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral).

Além do comportamento da safra, Gasques apresentou também os indicativos de renda agrícola conforme o Valor Bruto da Produção (VBP) previsto para os próximos 10 anos. O VBP nacional ficará em R$ 165,3 bilhões, um aumento de 16,7% em relação ao ano passado. O Paraná deve gerar R$ 22,63 bilhões, o que corresponde a 13,7% da renda nacional.

Gasques observou que os resultados das projeções só serão obtidos se o Brasil continuar no ritmo atual. “É preciso que haja mais investimentos em logística, tecnologia e práticas agrícolas. Assim o campo estará fortalecido para atingir os resultados projetados”, afirmou.

Os resultados podem ter interferência de alguns aspectos, segundo Gasques. Dentre os principais estão o clima e a recessão mundial. Segundo ele, os dois motores do crescimento da produção agrícola são as exportações e o aumento no consumo interno, que podem ser afetados pela crise. “Daí a importância em manter a diversificação da atividade agropecuária”, explicou.

REGIONAL – A pesquisa também aponta as projeções por Estados. No Paraná, três culturas tiveram destaque: milho, soja e trigo somam 30,3 milhões de toneladas na atual safra. Em dez anos deverão chegar a 42,5 milhões. Atualmente o Estado produz 15,6 milhões de toneladas de soja, e deve subir para 21,6 milhões/t. O milho deve saltar de uma produção anual de 11,8 milhões/t, nesta safra, para 16,8 milhões/t. O trigo deve sofrer pequena alteração, mas que modifica o atual panorama da cultura. Na safra atual foram produzidos 2,9 milhões/t de trigo, daqui a dez anos deve saltar para 4,1 milhões/t.

Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, o crescimento da produção agrícola e da pecuária no Paraná acompanha a projeção nacional. Como não há mais fronteiras agrícolas no Estado, o aumento da produção vai se dar basicamente em função do aumento da produtividade. “O Estado conta com uma rede de pesquisa e de tecnologia que irá dar o suporte a esse crescimento”, disse o secretário.

Segundo Bianchini, o Estado também está se preparando com investimentos em logística, como ferrovias, para facilitar o beneficiamento de matérias-primas por agroindústrias instaladas no Paraná. “Queremos fortalecer a agroindústria e gerar produtos de maior valor agregado. Para isso, vamos criar infra-estrutura para atrair a matéria-prima produzida em outros Estados”, destacou.

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