Presidente da Biosul fala sobre a safra 2013/14 na região

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O presidente da Biosul — Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul, Roberto Hollanda Filho, esteve presente ontem, 19, em Rio Brilhante, onde a Biosev inaugurou sua termelétrica na unidade Passa Tempo.

O representante conversou com o JornalCana, abordando detalhes importantes do segmento na região, além de um panorama da safra 2013/14. Confira os detalhes:

Safra recorde

“Nossa expectativa é de crescimento acima da média para este ciclo. Nossa primeira estimativa aponta que temos aproximadamente 44 milhões de toneladas de cana para moer. Dependemos, claro, das condições climáticas. É preciso ver se teremos tempo der esmagar toda essa produção. Em meados de abril tivemos um período chuvoso, mas nada comparado com o cenário do ano passado. Os índices de produção estão 120% acima do último ciclo, muito em razão das péssimas condições que vivemos. Estamos caminhando bem, já moemos quase 9 milhões de toneladas”.

Mix de produção

Tradicionalmente Mato Grosso do Sul é uma região alcooleira. O que aconteceu nesses últimos anos é que unidades mistas, que produzem açúcar e etanol, além de energia, surgiram. Tínhamos muitas destilarias aqui. Então, o mix que era 75% álcool e 25% de açúcar, foi para 65% e 35%, respectivamente. Mas ainda somos alcooleiros.

Biomassa

“Somos privilegiados no MS nesta questão. Se fizermos uma relação de tonelada de cana moída por quilowatts exportados, é a maior do Brasil. Isso porque temos um parque novo, muita usina nova. Algumas, como é o caso da Passa Tempo, em Rio Brilhante, é uma unidade antiga mas que investe em novos equipamentos de cogeração. Digo que no MS tudo tem fluído bem nesta área. A infraestrutura necessária o governo tem fornecido, no caso de interligar as usinas, as chamadas linhas de transmissão. A questão do preço é estrutural e precisa melhorar. A energia de biomassa tem perdido espaço para a eólica. Temos que considerar as externalidades positivas da nossa energia, que gera emprego, receita, imposto, desenvolvimento, enfim, uma série de pontos que deveriam ser lembrados. Ter leilões de energia regionais ou segmentados também seria valido para ajudar o Brasil a diversificar sua matriz energética e tornar atraente esse tipo de investimento. O país precisa e nós podemos dar uma resposta rápida”.

Etanol

“O pacote de incentivos ao biocombustível anunciado pela presidente Dilma Rousseff em 2013 é bem vindo. Mostra uma interlocução positiva do setor com o Governo Federal, que começa a dar sinais de que está entendendo o segmento. No entanto, são medidas de curto prazo, resolve problemas pontuais. A retomada de investimentos depende de outros pontos. Um, por exemplo, é a questão do mercado de combustíveis. É importante frisar que não lutamos pelo aumento da gasolina, mas sim para que o etanol tenha seu papel definido na matriz energético do país. São detalhes importantes”.

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