Prejuízo das usinas paulistas com chuvas equivale a 7 dias de produção

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Canavial na região de Viradouro, no interior paulista: vítima das chuvas

As chuvas intensas registradas em maio e no começo deste mês se tornaram um pesadelo para as usinas paulistas de cana-de-açúcar. Interrupção na colheita e na produção é apenas um dos sérios problemas. Retomar a colheita tem gerado transtornos extras porque a cana chega para a indústria com maior incidência de impurezas.

Fora a questão produtiva, as usinas estão penalizadas também em termos de mercado. Sem produzir, e com estoques baixos, não têm como comercializar volumes expressivos de etanol, e assim ficam sem entrada de caixa justamente quando os preços do biocombustível têm registrado alta.

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Levantamento do Cepea, da Esalq/USP, revela que apenas na semana encerrada em 06/06, na comparação com a anterior, os preços do etanol para as usinas subiram 5,1%, no caso do anidro, e em 2,6%, caso do hidratado.

Há também a questão do açúcar. Embora não tenha mesma volatilidade na comparação com o etanol, as unidades têm contratos para entrega do produto e qualquer atraso incide em multas e em demais problemas.

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Intensidade

Levantamento do Portal JornalCana, feito a partir de dados do Procana Estatística, revela que na média as chuvas interromperam a moagem de cana por 3,5 dias durante o mês de maio. “É preciso lembrar que essa interrupção só não foi maior porque as chuvas ganharam intensidade apenas a partir da segunda quinzena do mês”, diz Josias Messias, diretor do serviço de estatísticas da Procana.

Conforme o Procana Estatística, dos primeiros oito dias de junho as unidades paulistas suspenderam a safra em quatro dias.

Somados aos 3,5 dias de safra parada em maio, e as unidades paulistas interromperam a safra 16/17 por 7,5 dias. Significa que elas deixaram de produzir nesse período 800 mil toneladas de açúcar e 650 milhões de litros de etanol (264 milhões de litros de anidro e 386 milhões de litros de hidratado).

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Com a interrupção da safra por 7,5 dias, as unidades paulistas deixaram de faturar líquidos R$ 2,3 milhões. Esse montante, referente ao mercado spot, representa R$ 1,04 milhão apenas com o etanol não produzido, levando em conta o indicador Cepea, da Esalq/USP. Já as perdas financeiras relacionadas ao açúcar chegam a R$ 1,26 milhão, considerando levantamento de junho do Cepea.

O Procana Estatística chegou aos volumes não fabricados levando em conta a produção das unidades da região Centro-Sul na primeira quinzena de maio, divulgada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Para chegar aos dados das unidades paulistas, o levantamento leva em conta que as unidades paulistas representam 80% da produção do Centro-Sul.

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Os custos com CCT chegam a dobrar com a colheita pós-chuvas

E daqui para frente? 

Não é possível prever em quantos dias mais a moagem será interrompida. Isso porque as previsões de empresas de serviços meteorológicos como a Climatempo preveem estiagem nos próximos dias. Mas os canaviais estão encharcados e retirar a cana exige custos extras de operações de corte, carregamento e transporte (CCT).

Além disso, a cana colhida após as chuvas chega aos parques industriais com impurezas vegetais (terra) entre 10% a 20% por tonelada. O tolerável fica entre 4% e 5%.

(Texto: Delcy Mac Cruz e Wellington Bernardes)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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