Preço do petróleo reduz interesse por energias renováveis

A queda no preços do petróleo é má notícia para as energias renováveis e para os biocombustíveis, cujo desenvolvimento é mais necessário do que nunca como proteção para o clima, disseram os especialistas presentes em uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) em Poznan, Polônia.

O preço atual do petróleo, que recuou mais de dois terços em seu valor desde os recordes alcançados em julho, não deve frear os esforços para desenvolver as energias renováveis, advertiu a Agência Internacional de Energia (AIE). “Inegavelmente os preços atuais são um entrave para as energias renováveis”, disse o diretor geral da agência, Nobuo Tanaka.

O preço do petróleo compromete também a expansão dos biocombustíveis, assinalou Guarany Osorio, da campanha climática do Greenpeace Brasil, país líder na produção de etanol feito da cana-de-açúcar, “que não concorre com a produção de alimentos”, enfatizou. “Quando o preço do petróleo cai, também recua o interesse pelos biocombustíveis e infelizmente se prioriza as questões econômicas frente às questões ambientais”, lamentou.

O especialista Frances Jean-Marc Jancovici se preocupa com o fato de que a queda do preço do petróleo detenha as política de economia de energia e preconiza por isso uma elevação dos preços para incitar os países consumidores a buscar antes de mais nada a eficácia energética.

“O problema é a grande volatilidade dos preços do petróleo, que provoca “intermitências” nos investimentos petrolíferos e principalmente nos investimentos em energias de substituição”, analisou Cedrid Philibert, especialista da AIE.

No entanto, “a principal razão para desenvolver as energias renováveis atualmente é a proteção do clima”, disse Philibert. “Portanto são necessárias políticas constantes, legitimadas pela questão do clima e não por causa dos preços da energia”, acrescentou.

“Todo mundo concorda ao dizer que os preços do petróleo tornarão a subir no meio prazo”, disse o diretor do programa da ONU para o Meio Ambiente, Achim Steiner. Assim, “a competitividade das novas tecnologias aumentará em relação ao preços do petróleo”, acrescentou Steiner

O etanol brasileiro feito de cana de açúcar produz uma redução de pelo menos 80% nas emissões de gases estufa, frente aos combustíveis fósseis, responsáveis pelo aquecimento do planeta, segundo um informe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado em julho. Sua eficácia é muito superior a de outros carburantes produzidos a partir do milho, trigo ou beterraba, segundo disse a OCDE.

Os Estados Unidos, que destilam etanol do milho, são o principal país produtor mundial com 48% do total em 2007. Em segundo lugar está o Brasil com 31% da produção de etanol. A União Européia (UE) produz 60% do biodiesel mundial, biocombustível elaborado a partir de óleos vegetais, que substitui o óleo diesel.

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