Preço do álcool pode ser reduzido

Com preço de R$ 1,10, o álcool anidro está custando nas usinas mais que a gasolina, que sai das refinarias por R$ 1,06. Nos postos, o consumidor também já faz as contas para saber se o álcool a R$ 1,85 realmente é mais vantajoso que a gasolina, a R$ 2,59. Para barrar a escalada de preços do etanol, que influencia também no valor da gasolina por conta do percentual de 25%, o valor da mistura deve ser alterado para 20%. Em dezembro, a Agência Nacional de Petróleo vai decidir sobre a mudança. O setor sucroalcooleiro diz que Pernambuco está em plena safra e seria prejudicado com a medida que reduziria, por mês, a venda de álcool anidro em 3 milhões de litros.

Nos postos de combustíveis, álcool vem subindo de preço, movimento comum com o início da entre! ssafra. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press – 9/2/09Como não existem estoques reguladores de álcool, todos os anos, a oscilação de preço do álcool é sempre a mesma: começa a subir próximo de março, quando tem início a entressafra da cana-de-açúcar, e volta a ficar mais barato entre agosto e setembro, com o início da safra. Pernambuco é um dos seis estados em que oálcool ainda é competitivo em relação à gasolina (ainda estão com preços vantajosos Goiás, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Tocantins). Isso porque no estado a alta não foi tão acentuada. Mas há cidades no país, em que o álcool chegou a dobrar de preço e a ultrapassar o da gasolina nas bombas. “No Centro-Sul, em geral, a safra vai de março a dezembro. Mas a chuva atrasou a safra e os preços subiram mais do que o esperado”, comenta Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindacúçar-PE).

Como existe a mistura de 25% de álcool anidro, a gasolina está sofrendo reajustes em alguns locais por causa desse cenário. “O álcool, em vez de evitar o aumento, está puxando o preço da gasolina em R$ 0,05”, afirma José Afonso Nóbrega, presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE). Como a ANP não tem autonomia para interferir no valor cobrado, que é liberado pelo mercado, a alternativa seria a redução no volume de álcool anidro adicionado à gasolina. Com isso, a oferta do produto no mercado seria elevada.

Para Renato Cunha, o problema dos preços do etanol se resolveria a partir de estoques reguladores. Mas o diretor geral da ANP, Haroldo Lima, defende que teria um custo muito alto. “Por que as distribuidoras que são multinacionais não podem investir nisso e o produtor pode? Pernambuco está em plena safra. Vamos ter que modificar a produção de anidro para hidratado e acho que esse excedente seria absorvido pelos postos com dificuldade”, argumenta.

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